Na hora certa
por Renata Penna às 11:58 em 22/05/2009
Sou mãe há praticamente cinco anos, desde que duas pequenas sementinhas, que hoje dão seus passinhos independentes, às vésperas de completar 4 aninhos de uma vida de descobertas, sorrisos e maravilhas, começaram a crescer no meu ventre, ainda despercebidas.
Hoje, outra sementinha iluminada cresce aqui dentro. Aliás, sementinha não... sementona! O barrigão imenso não nega.
E foram duas experiências totalmente diferentes, diversas, embora igualmente maravilhosas e transformadoras. Uma, esperada, planejada, desejada. A outra, de surpresa, no susto, mas igualmente desejada. Amor? Imenso, tanto em uma, quanto na outra.
Na primeira gravidez, fizemos tudo direitinho, “como manda o figurino”. Decidimos que era o momento de engravidar (estávamos casados havia apenas um ano, mas o desejo de ter um filho juntos era imenso, desde o começo do namoro), parei de tomar a pílula, fiz alguns exames para ter certeza de que estava tudo ok com a saúde, ‘avisei’ minha ginecologista dos meus planos, calculamos períodos férteis, datas, momentos. E esperamos.
Um belo dia, depois de alguns meses de tentativas, a confirmação: com uns dois dias de atraso, a linhazinha cor-de-rosa no exame de farmácia não deixava dúvidas: nosso sonho estava a caminho. Era um feriado de sete de setembro, lembro até hoje. Ganhei um ursinho marrom com uma linda coleirinha, e um buquê imenso de girassóis, minha flor preferida. No final do dia, fomos a um restaurante, brindamos, comemoramos. Sorriso de orelha a orelha.
Na segunda gravidez, tudo ao contrário. Pra começar, dessa vez calculávamos o período fértil com o objetivo contrário, ou seja, evitar ter relações nessa época. Até planejávamos mais um filhote, mas dali a algum tempo, havia o que equacionar antes disso. Mas nossa pequena terceirinha não estava disposta a dobrar-se diante destes pequenos obstáculos. Em uma relação fora do período, em uma data absolutamente improvável, a ovulação veio. E assim chegou nossa nova sementinha.
Eu não ia ao ginecologista há meses, vinha me alimentando mal por conta de um trabalho que estava me tomando muito tempo, além da reforma que estávamos fazendo na casa que havíamos comprado, que me dava dores de cabeça diárias, e me fazia passar horas e horas correndo atrás de detalhes para resolver pepinos e problemas com o pedreiro.
Nesse meio-tempo, tive uma catapora fortíssima, que me deixou de cama por dias, com dores terríveis. Foi uma das piores experiências que já passei na vida. E foi saindo desse quadro horroroso e caótico, que descobri a gravidez de cinco semanas.
Na verdade, eu já sabia. Desde o dia da fecundação, mesmo sem qualquer justificativa racional, já que eu estava fora do meu período fértil – que até então era bem regular - , por algum motivo alheio à lógica restrita dos hormônios e das estatísticas, eu já sabia. Minha caçulinha já se conectou comigo desde o primeiro momento, fazendo-me sentir que chegara. Cheguei a comentar com o maridão, que nem de longe acreditou. ‘Os números, as probabilidades!!”, ele dizia. Eu ignorava. Mais do que números e probabilidades, eu ouvia a voz do meu coração de mãe, que sabia que começava mais uma linda jornada para trazer mais uma vidinha a este mundo.
E assim foi, em um 5 de setembro em que eu ainda me recuperava da catapora, com marido chegando de uma viagem de trabalho à Espanha, mal ele entrou em casa e deixou as malas em um canto, eu pedi: “compra um teste de farmácia pra mim, porque estou grávida”. Ele sorriu, incrédulo. Mas conhecendo a mulher que tem, e deduzindo antecipadamente que de nada adiantaria discutir, foi até a farmácia mais próxima e me trouxe o tal exame.
Fiz o teste no banheiro, com o maridão tomando banho no box ao lado. Diante da cruzinha azul – o teste era de uma marca diferente! – do resultado positivo, chorei e ri, tudo ao mesmo tempo. Havia surpresa, susto, medo, dúvidas. Não estávamos preparados. Mas mais forte do que tudo, havia o amor. Um amor devastador, imenso, que me tomou de assalto desde o primeiro segundo.
Nove meses depois, cá estamos nós, reinventados, com a vida toda reorganizada – ou nem tanto – para receber nossa menininha, essa pequena tão decidida e determinada, que veio fazer parte da nossa familinha quando quis, da forma que desejou. Números, contas, probabilidades, estatísticas? Nada disso fez diferença para ela. Ela sabia que era a hora certa de vir, e veio.
E nós? Cá estamos, novamente felizes, sorriso de orelha a orelha. Cheios de amor, prontos para receber nossa mais nova pimentinha nos braços, e amá-la sem limites e sem reservas.
De tudo, uma certeza. Os filhos vêm quando têm de vir. Sempre, mesmo que a gente não saiba.
E é sempre, sempre pra melhor.
- 22/5/2009 - 22:43
- Esse comentário foi útil?
- 0
- 0
renata (mamie bella - blogueira)
rp-rodrigues@uol.com.br
meninas, eu também estou adorando dividir essas histórias, tão doces, tão intensas pra mim, com vocês... delícia!!
bjocas
- 20/5/2009 - 15:17
- Esse comentário foi útil?
- 0
- 0
milena
milenamimo@gmail.com
Rê, este cantinho para uma grávida é maravilhoso! Histórias tão bonitas! A sua, então... e sei que tá chegando a hora, tá chegando.
Torcendo aqui por vc! Por todas vcs grávidas, inclusive eu. rs
Um beijo
- 18/5/2009 - 12:16
- Esse comentário foi útil?
- 0
- 0
Mariana Dias
marinhadias@gmail.com
Adoro quando conta suas histórias. Na foto vocês transmitem muita alegria. Beijo grande