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De Peito Aberto

por Renata Penna às 18:14 em 23/06/2009

 
Tem os nove meses da gravidez, tem o parto, e depois que o bebê nasce, começa uma nova e deliciosa fase da maternidade: a amamentação.

Amamentar é bom demais, e fundamental. Em primeiro lugar, tem a questão nutricional. Acho que todo mundo já sabe, mas nunca é demais repetir: o leite materno é o alimento mais adequado para o bebê, e até os seis meses pelo menos, ele não precisa de nada mais para crescer forte e saudável. Nada. Nem chazinhos, nem água, nem suquinhos, papinhas, nada. Absolutamente nada.

Em segundo lugar, tem os benefícios para a mãe, já que mulheres que amamentam têm menos chance de desenvolver câncer de mama, entre outras enfermidades.

Em terceiro lugar, tem a praticidade. Quem amamenta não precisa esterilizar mamadeira, carregar lata de leite em pó, preocupar-se em esquentar água, verificar a temperatura, calcular a proporção correta entre o pó e a água. Nada disso. O peito está sempre ali, disponível, prontinho para o uso. O leite materno está sempre na temperatura ideal. O bebê chora, a gente põe no peito e pronto. Parece milagre.
 
 
Mas o que eu, pessoalmente, acho mais importante na amamentação, vai além da praticidade, ou dos benefícios para a saúde, seja da mãe ou do bebê. Pra mim, amamentar, antes de tudo, é vínculo. É afeto. Amamentar é alimentar, sim. Mas é muito mais do que isso. Amamentar é entrega, é comunhão, é troca. É calor humano, contato pele com pele, olho no olho. Amamentar é poesia, é amor em seu estado mais puro.
 

 
Acontece que amamentar é uma delícia, mas nem sempre é fácil. E é aí que entra, mais uma vez, aquela força que a gente já vem adquirindo desde a gravidez, passando pelo parto. É aí que entra o crescimento, a responsabilidade, a coragem de assumir as própria escolhas, e lutar por elas. Quem é mãe precisa descobrir essa força dentro de si.

Enquanto a gente está só por si, pode se dar ao luxo de transferir responsabilidades, de deixar que decidam por nós. Mas a partir do momento que a gente coloca um filhote no mundo, a coisa fica mais séria. É preciso romper com as dependências de uma vez por todas, deixar de lado o papel de filha, deixar de ser a “boa menina”, a mocinha cordata que acata bons conselhos, e deixa que os mais velhos, ou mais sábios, decidam por si. É preciso crescer. Os filhos exigem isso da gente.

Quando a gente se torna mãe, é hora de assumir a responsabilidade. Não basta mais fazer as coisas porque “disseram que é assim que se faz”. É preciso correr atrás da informação, empoderar-se, assumir para si o que nos cabe.

É aí que o mito do “doutor-paizão-sabe-tudo” cai por terra de uma vez por todas. Da mesma forma que a gente não pode confiar cegamente no primeiro obstetra que indica a cesárea por bacia estreita, falta de dilatação, bebê pélvico, cordão enrolado ou qualquer outra desculpa mirabolante, não dá pra ir na onda do primeiro pediatra que te coloca nas mãos uma receita de leite artificial porque “seu leite é fraco”, “seu bebê não está ganhando peso como deveria”, entre outras indicações estapafúrdias.

Eu, aliás, passei pelas duas experiências na primeira gravidez. Um obstetra que, com 9 semanas de gestação, me disse que eu não poderia ter um parto normal de gêmeos, e que eu, logicamente, abandonei em seguida, para encontrar outro que me acompanhou até o final, e assistiu meu parto normal gemelar com 40 semanas e meia de gestação. E um pediatra que, apesar de ter sido muito bem recomendado e de confiança, na primeira consulta das meninas, elas com pouco mais de uma semana de vida, sentenciou logo que eu jamais conseguiria amamentar gêmeas exclusivamente, e que elas não ganhariam peso e passariam fome. Peregrinei por consultórios até encontrar uma pediatra que me apoiasse, que compartilhasse das minhas crenças e fosse minha parceira. O resultado? Minhas filhas, gêmeas, mamaram exclusivamente no peito até os seis meses, e continuaram mamando até os 3 anos e meio, quando desmamaram naturalmente.  

 
 
Então, tudo é uma questão da gente se informar, saber bem no que acredita e o que deseja, e lutar para fazer isso valer.

Em primeiro lugar, vale lembrar: não existe leite fraco. Toda mulher pode amamentar seu filho, basta ter vontade, orientação adequada e apoio. É claro, existem os casos em que a amamentação é realmente inviável, mas esses são a exceção, não a regra. A regra é que você possa amamentar seu filho sem ajuda de complementos artificiais, e que ele cresça feliz e saudável alimentando-se apenas com o seu leite.

Outro detalhe é o tal “ganho de peso adequado”. Não é raro encontrar por aí pediatras que acham que bebês nascem em forminhas, todos iguais, com o mesmo ritmo de crescimento, adequados aos mesmos padrões. Não, isso não acontece. Bebês não ganham peso da mesma forma, todos no mesmo ritmo. Assim como entre os adultos, existem bebês mais gordinhos, outros mais ‘esbeltos’. Esqueça a idéia do bebê cheio de dobrinhas. Bebê gordinho não é necessariamente sinônimo de bebê saudável. Se seu bebê ganha peso mais devagar, mas de resto é um bebê saudável, ativo, não adoece com facilidade, e se desenvolve bem, pode ser o padrão dele de crescimento, nada mais.

De resto, é importante ter em mente que amamentar é uma delícia, mas nem sempre é fácil. Especialmente para as mães de primeira viagem, as dificuldades iniciais podem “embolar o meio de campo”. Uma pega mal feita, por exemplo, pode causar machucados nos mamilos e prejudicar a amamentação. É aí que entra a orientação correta, para ajudar a mãe a se afinar com o filhote, para juntos superarem as dificuldades. Para isso, existem inúmeros grupos de apoio muito bacanas, como as Amigas do Peito, os Bancos de Leite , a Matrice, a La Leche League , o Grupo Origem, o Aleitamento, entre outras iniciativas bem interessantes.

Também é bacana pensar que o primeiro mês passa, que o cansaço inicial passa, que nem todo choro desesperado significa fome, e que você não precisa dar conta de tudo. Peça ajuda, você tem esse direito!

E mesmo para as mães que trabalham fora e precisam voltar antes do sexto mês, há opções. É possível manter o aleitamento exclusivo, mesmo que se tenha que voltar ao trabalho. Armazenar o leite dá um pouco de trabalho, mas é viável. E vale a pena.

Então, grávidas, mães, futuras grávidas e mães: tomem para si as responsabilidades que lhes cabem. Assim como toda mulher pode parir, toda mulher pode amamentar.

Casos em que uma ou outra coisa são inviáveis são a exceção, não a regra. A regra é que tudo caminhe conforme determinado pela natureza, que é sábia, e que há milhares de anos vem dando conta do processo maravilhosamente: mães gestando, parindo, amamentando. Tudo saudavelmente, naturalmente. Tudo como deve ser.

Vale a pena manter em mente essas palavras-chave: informação, responsabilidade e consciência.

Decidir por si dá trabalho. Deixar que decidam por nós, que nos digam por onde devemos ir, é muito mais fácil, não há dúvidas. Responsabilizar-se pelas próprias escolhas, lutar por elas, exige comprometimento, coragem, disposição. Exige maturidade.

Mas vale a pena.
  • 12/11/2009 - 10:01
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Marta Alves

tsampaio_marta@yahoo.com.br

Ola...Concordo com a Mariane.. AMAMENTAR é a pausa mais gostosa do dia.!!!! Adoro esse momento tao intimo meu e do Gabriel ( tesouro que DEUS me deu). bjus

  • 24/9/2009 - 18:04
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Viviane da Silva Varela

vivianedasilva@gmail.com

Renata, estou grávida de gêmeos (3 meses) e, graças a Deus, conto com um obstetra que é especialista em partos naturais. Mas minha grande preocupação agora é a amamentação, pois muita gente vem me dizer que não dá pra amamentar gêmeos só no peito, que tem que introduzir mamadeira etc. Gostaria de trocar mensagens com vc pra saber mais da sua esperiência de amamentação. Também gostaria de saber o seu "segredo" para levar uam gestação de gemeos por 40 semanas, fugindo da tão temida prematuridade. Moro no Rio de Janeiro e ficaria muito grata se vc me escrevesse. Obrigada!

  • 26/6/2009 - 15:34
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mariane

gabriza25@yahoo.com.br

Olá Renata,amamentar realmente é maravolhoso!é um momento intimo com o bebê!bjs

  • 24/6/2009 - 14:01
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Mamie Bella - Renata

rp-rodrigues@uol.com.br

oi Bruna, obrigada!! e além de tudo, amamentar é uma delícia... momentos que a gente guarda pra sempre! bjo!

  • 24/6/2009 - 11:50
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Bruna

brunapp.perecini@gmail.com

Parabens Renata, A amamentação é a maior prova de amor que uma mãe pode ter por um filho. Beijos

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