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A ‘tal’ da cólica

por Renata Penna às 13:52 em 27/07/2009

Uma coisa que assusta qualquer mãe ou futura mãe de recém-nascido é a ‘tal da cólica’. Relatos horripilantes de bebês que choram por horas sem descanso, e que não acalmam nem com reza braba, pipocam na nossa mente e assombram a mais relax das mamães.

Pois eu, que já passei por essa fase de recém-nascido com minhas três filhotas (bom, com a Chiara, estou passando agora), achei que seria bacana compartilhar aqui a minha experiência com essa ‘tal’ cólica que se fala tanto.

Das minhas filhas mais velhas, a Estrela tinha aqueles surtos de choro inexplicáveis, inconsoláveis, sempre no comecinho da noite. Nós, é claro, atribuíamos à cólica. E dá-lhe massagenzinha na barriga, fraldinha quente para aliviar a dor e cortes radicais na alimentação (a minha, é claro, já que a pequena só mamava) para prevenir gases, e tudo mais.

Já com a Ana Luz, tudo bem mais suave. De vez em quando ela tinha um ou outro desconforto, chorava um tiquinho aqui e ali, mas nada nem perto do que se passava com a irmã.

E agora, com a Chiara, o negócio aqui é cólica zero. Quer dizer, uma vez ou outra a mocinha até puxa as perninhas, solta uns gases, mas eu estaria mentindo se dissesse que são ‘crises’. A pequena mal chora, praticamente só resmunga. E dura pouco, logo ela já está dormindo feliz e contente outra vez, como adora fazer.

E é por ter vivido três experiências tão diferentes entre si, aliás tão diferentes quanto o são minhas três filhotas, cada uma do seu jeitinho todo especial, que eu acho que a gente precisa prestar mais atenção a esse chorinho do bebê recém-nascido, antes de sair feito doida procurando soluções para os gases que não deixam seu pequeno em paz.

É claro que, para o alívio mais imediato do incômodo físico, há recomendações bacanas para se seguir. Na alimentação da mãe, evitar alimentos muito ácidos (tomate, laranja, por exemplo), alimentos que provocam gases (repolho, couve, brócolis, feijão, por exemplo). Chás que a mãe toma e amamenta em seguida, como o de funcho, também ajudam. A massagem empurrando os joelhos do bebê em direção à sua barriga, além de sessões de Shantala. Banhos de balde, com água bem quentinha envolvendo a barriga. Botar o bebê no sling, ou no fast wrap, e deixar que ele fique barriga com barriga com você, bem aconchegado e quentinho. Muito colo, sem economia. São coisas que ajudam na hora da crise.

Mas eu acho que também é bem interessante a gente pensar em outras questões que envolvem o que nos acostumamos a rotular como cólica e essas crises intermináveis de choro que acometem muitos recém-nascidos.

Um fator é a personalidade do bebê (sim, acredite, eles já nascem cheios de personalidade!). Há bebês mais irritadiços, mais ‘chorões’, e outros mais tranqüilos. É bacana encarar esse fato sem juízo de valor, sem achar que o bebê que chora menos é mais ‘legal’, mais ‘divertido’, mais ‘feliz’. Bebês, assim como adultos, são únicos e incomparáveis. E uma bela forma de receber nossos filhotes no mundo é acolhendo-os como são, respeitando cada pequeno traço de sua individualidade, mesmo que esse traço não seja o mais ‘simpático’ à primeira vista.

Além disso, quando a gente vê um recém-nascido, ou mesmo um bebê pequeno chorando, credita tudo na conta da cólica ou da fome. Mas não é bem assim. Recém-nascidos e bebês choram por uma infinidade de motivos. Choram porque têm calor, frio, saudades da barriga, choram porque estão inseguros, assustados, entediados. Choram porque estão carentes, porque querem colo, proximidade, calor. O choro é a única forma de comunicação do bebê.
 
 

Um grande aprendizado da vida de mãe é que nem sempre podemos ‘resolver’ os problemas ou dificuldades para os nosso filhos. Nem sempre, ao vê-los sofrer, poderemos fazer algo para encerrar o sofrimento. Muitas vezes, a única coisa que poderemos oferecer é nosso amor. Nosso colo, nosso carinho, nossa presença. E acredite, isso já fará uma diferença enorme.

Assim, quando com minhas filhas eu me via às voltas com uma crise de choro incompreensível, após checar se não estavam com nenhuma necessidade prática que eu pudesse atender (fome, sono, etc), aprendi a simplesmente estar presente. Carregá-las juntinho a mim, no colo ou no sling, cantar para elas, conversar, ou apenas colocá-las bem juntinho, para que sentissem minha respiração, meu carinho. Para que sentissem que eu estava ali, e que passaríamos juntos pela dificuldade, fosse qual fosse.

Até hoje, percebo a importância desse aprendizado na minha vida de mãe. A tentação de sempre tomar a frente para resolver as dificuldades por eles é enorme. Mas venho aprendendo a apenas estar presente, quando é só disso que elas precisam.

E esse aprendizado, pra mim, começou lá, com a ‘tal’ da cólica...
  • 30/7/2009 - 0:45
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Kalu

kalubrum@yahoo.com.br

Que texto delicioso. Como a sua maternagem inspiradora. Parabéns por inspirar tantas mulheres.

  • 29/7/2009 - 0:00
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mamie bella - renata penna

rp-rodrigues@uol.com.br

oi Lyane! é bem isso mesmo... o primeiro de tantos e tantos aprendizados que essas criaturinhas vêm ao mundo trazendo pra gente... bjo!

  • 27/7/2009 - 20:55
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elly

ellyguevara@gmail.com

Ai Renata, que imagem mais linda essa! sobre o texto, nem preciso falar, né? E viva as sutilezas da maternagem!

  • 27/7/2009 - 18:28
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MAMIE BELLA - Lyanne Rehder

casalmaly@gmail.com

Oi Rê! Que lindo texto. Sabe, tenho lido bastante sobre gestação e os primeiros meses dos bebês... E sabe... vc tem toda razão quando diz que isso é um aprendizado, e que as vezes eles apenas precisam que estejamos perto deles. Vou guardar essa comigo pq sei que terei que me controlar pra não tomar a frente em muitas situações ;) bjokas!

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