Mãe, e agora?
por Renata Penna às 15:22 em 24/08/2009
As duas linhazinhas cor-de-rosa no exame positivo de gravidez, especialmente do primeiro filho, podem ser uma experiência tão fantástica quanto assustadora. Ter um filho é maravilhoso, transformador. Mas é uma responsabilidade imensa também.
Imaginar-se mãe, fantasiar como vai ser o filhote, sonhar adoidado com a maternidade, é uma coisa. Mas quando aquela sementinha vem morar dentro da gente e o filho passa a ser uma presença real, urgente, com data – mais ou menos - marcada para existir fora de você, a coisa muda de figura. E aí é que a gente começa a se questionar: será que eu vou dar conta?
Não é raro a gente ouvir uma brincadeira que diz que os bebês deveriam vir ao mundo com um “manual de instruções”. Ouvi uma vez, de uma grande amiga, super mãe mamífera e consciente, que quando um bebê nasce, seu manual é depositado no coração de sua mãe.
Gosto muito dessa idéia, porque acho que o caminho é sempre esse, mesmo: o do coração.
Quando nasce um bebê, nasce também uma mãe. Um nasce para o outro, para uma caminhada conjunta, para uma história feita a quatro mãos.
Você pode ler todos os livros, ouvir todos os teóricos de plantão, consultar os melhores pediatras. Mas no dia-a-dia, é na sua relação com o seu filho que você encontrará as respostas das quais precisa. Permita-se essa conexão, essa entrega. Abra-se para ele. Ele se abrirá para você e o resultado dessa troca será um lindo aprendizado conjunto.
Eu não estou dizendo que basta abrir o coração e a experiência da maternidade será sempre só sorrisos, só alegrias, tudo muito fácil e tranqüilo. Não. Haverá dificuldades, sim. Surgirão dúvidas e muitas vezes você se verá diante de uma encruzilhada, sem saber qual caminho tomar.
Mas, se houver a entrega e, o mais importante de tudo, se houver o amor imenso e a disponibilidade para escutar o seu filho, para deixar que a relação de vocês dite os caminhos e diga por onde devem ir, tudo dará certo no final. Até mesmo quando der errado. Porque é fato: nem tudo são flores. Aliás, não é mesmo pra ser.
Mas tudo faz parte da beleza do caminho. Os sorrisos e os tropeços, as conquistas e os desvios. Cada passinho dessa caminhada é único, pertence a vocês e a ninguém mais.
Cada bebê é único, incomparável, especial. Cada mãe, também. É por isso que mesmo quando a gente tem um segundo, um terceiro filho, tem que começar tudo de novo. A experiência pode ajudar nas coisas mais práticas, porque você já sabe bem como trocar uma fralda, que roupinhas serão úteis num dia de frio ou calor e quais os ítens do enxoval que usará mais ou menos. Mas a relação com aquela criaturinha que acaba de chegar ao mundo é sempre um mistério. Uma imensa maravilha, que a gente só desvenda se se permite estar disponível, inteira, entregue.
Por isso, se eu pudesse falar baixinho, ao pé do ouvido, com cada mãe de primeira, segunda ou terceira viagem, que hoje se vê um tanto perplexa diante da chegada de um novo filhote e se questiona se dará conta do recado, eu diria: sim, você dará. Você será a melhor mãe que seu filho poderia ter. Ele vem ao mundo para te ensinar exatamente o que você precisa aprender. E você a ele.
No final das contas, o que vale não é ser perfeito. Não é disso que se trata a maternidade.
Não precisa mesmo ser perfeito. Só precisa valer a pena.
E isso vale. Ah, vale demais!