A magia e a realidade
por Letícia Sallorenzo às 15:40 em 01/09/2009
Tarefinha hercúlea essa: traduzir num texto as sensações de uma mãe quando seu filho chega ao mundo... Mas vamos tentar.
Daí aquele serzinho tão desejado, amado, querido, planejado (ou não) chega aos seus braços. Saiu de dentro de você, onde havia sido colocado com tanto amor e paixão para se desenvolver. Se milagre não define esse momento tão maravilhoso, então não há uma palavra certa para definí-lo.
A primeira vez em que o olhar do seu filho se cruza com o seu, lhe traz uma sensação íntima, pessoal, indescritível, intransferível... mas uma sensação de paz. Se até agora você se perguntava “cara, será que eu vou dar conta desse recado?”, nesse momento os olhos do seu filho lhe transmitem a segurança e a serenidade necessárias para que você responda a si mesma: “Mas é claro que eu vou dar conta desse recado! Afinal de contas, é o meu filho!”
E então você descobre que uma manteiga derretida não é nada diante dos seus sentimentos. Por exemplo, quando, ainda na maternidade, seu filho chora sem parar no meio da noite, e você não sabe o que é. Já deu o peito, já trocou a fralda, fez de tudo e o pequeno aos berros.
Então, você se lembra que adorava cantar pra ele, ainda na barriga,
uma música que diz: “bem-vindo à raça humana, com suas guerras, doenças e brutalidades. Você com sua inocência e graça traz de volta um pouco de orgulho e dignidade a um mundo em declínio / bem-vindo a este lugar especial, e a este coração de pedra, frio e cinza, você com seu rostinho de anjo isola o desespero e o manda para bem longe”
Começa a cantar a música pra ele, em tom de cantiga de ninar e, de repente, como que num passe de mágica, aquele bichinho pequenino, frágil, que depende de você pra tudo e mais um pouco, para de chorar e começa a procurar com a cabecinha de onde vem aquele som tão familiar. Ele fica quietinho, ouvindo e “preciando” a canção, até dormir. Você canta a música pra ele ininterruptamente, aos prantos, até que ele durma. E não sabe mais como fazer pra parar de chorar. Se magia não define esse momento, então novamente faltam-me palavras.
Devem ser momentos como esse que te ajudam a superar a realidade da dor do peito mordido pela gengivinha do seu filhote (que de fraca não tem nada) e sugado por todo um poderoso sistema de vácuo bucal, que você jamais imaginaria que seu filho possuísse, e que destrói sua mama em alguns dias (mais alguns outros e elas já estão quase que restauradas). Mas você não está nem aí, agüenta a dor e a tortura como se não fosse nada – afinal de contas, é o seu filho.
Mas agora vocês vão ter que me dar licença. A “Vaquinha Mococa” (meu pai e minha mãe estão me chamando assim. Meigo, não?) tem de alimentar o Bezerrinho Thiago, que já está aqui aos berros, clamando por comida.
- 2/9/2009 - 16:09
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Mamie Bella - Letícia
leticia@notasdebeleza.com.br
Se vc está com os olhos mareados agora, espere até o seu fofucho chegar. Você vai ver que enxurrada de emoções vai ser... :)
Aliás, falta pouco, né?
Sabe aquele papo de "durma o máximo que você puder"? Acredite nele,você vai precisar! :o)
Bjoquinhas, e que Nossa Senhora do Parto lhe dê uma boa hora! :)
- 1/9/2009 - 17:36
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MAMIE BELLA - Lyanne Rehder
casalmaly@gmail.com
Ai Lê!!!! de delícia de depoimento. Tô aqui com os olhos cheios d'água. Tô feliz por vc e pela sua nova família. Bjokas a todos (até pro Zé!)