Uma nova vida a três
por Renata Penna às 10:54 em 14/09/2009
Esses dias, andei falando no
mamíferas, o blog onde escrevo com duas outras mães sobre maternidade ativa e consciente, sobre uma questão que ocupa a mente de muitas grávidas e mamães recentes: afinal, como fica a vida a dois depois que o bebê nasce?
Uma coisa é certa: igual, não fica. Muita coisa vai mudar, e nem adianta pensar que não. Mas vale pensar que diferente não é pior, apenas diferente.
Depois que se tem um filho, toda a dinâmica da relação a dois muda. Afinal, não é mais uma relação a dois. É uma relação a três, a quatro, ou a cinco, como é o nosso caso aqui em casa!
É claro que continua sendo importante cultivar a relação, ter momentos a sós com o parceiro, ter tempo para reacender a chama, fazer programas românticos e tudo mais. Mas é preciso lembrar que tem tempo pra tudo, tudo tem sua hora. E quando o bebê nasce, é hora de permitir que todo o resto fique em segundo plano, para que a família possa se reinventar, agora que faz parte dela uma nova pessoinha, que chega ao mundo para descobrir e ser descoberta.
Por um tempo, você e o marido/namorado/caso/parceiro, vão sim gastar boa parte do tempo juntos conversando sobre o funcionamento do intestino do bebê, discutindo se o choro da madrugada é de fome, de cólica, de sono, de tédio, ou nenhuma das alternativas anteriores, pesquisando qual a marca de fraldas que dá menos alergia e tem a melhor relação custo/benefício e, principalmente, dividindo cheios de alegria a maravilha, a poesia imensa e o amor infinito por aquele serzinho que acaba de chegar. E que coisa mais deliciosa, a gente ficar do lado da pessoa que escolheu pra dividir a vida, em silêncio na cama em plena madrugada, os dois mudos e bobos admirando aquela criaturinha tão pequenina, que carrega com ela um pouquinho de cada um de vocês.
Quando se tem um filho, as prioridades mudam, o ritmo da vida diária muda, as necessidades mudam. E o casal precisa descobrir junto como readaptar a relação para essa nova ordem. Não digo que seja fácil. Não é. É preciso muita dedicação, muito amor, muita paciência, muita vontade de estar junto. Mas quando o casal supera essa fase inicial de adaptação, descobre que a relação se fortificou, amadureceu, intensificou. E o amor, na mesma medida.
E nada de pensamentos do tipo: “ai, preciso cuidar do meu casamento, senão perco meu marido!”. Gente, não estamos mais no século passado, né? Ter um filho é uma caminhada conjunta. Não é sua obrigação dar conta do filhote e ainda estar linda e disposta para o maridão, não. É responsabilidade dos dois aprender a lidar com a nova vida em família, com respeito, companheirismo e união.
E principalmente, nada de desespero. Tenha em mente aquele que deveria se chamar “o mantra da maternidade”: tudo passa! Seu bebê vai crescer mais rápido do que você imagina, e quando você menos esperar, ele vai estar pronto para passar sem nenhum sofrimento umas horinhas com alguém de confiança, enquanto você curte um cinema seguido de jantarzinho em um lugar bem romântico, ou até mesmo uns diazinhos longe, enquanto você curte uma viagem gostosa a dois.
Sem pressa, com companheirismo e amor, a seu tempo, tudo se ajeita. E acredite, fica melhor ainda do que era antes.
- 15/9/2009 - 0:04
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Ana Medeiros
ana.medeiros08@gmail.com
Vi seu texto no mamíferas e ate encaminhei pro meu marido, que leu e também adorou.
Sincero, bem escrito e emocionante. Sim, me emocionei com suas sábias palavras. Parabens!
- 14/9/2009 - 11:57
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Glauciana Nunes
glauciananunes@gmail.com
Concordo plenamente! Que post bonito e real. Eu e meu marido temos Eduardo e aguardamos Luca. Temos essa postura: sabemos que a relação mudou, mas é apenas diferente e não pior. Os filhos tiram do casal o melhor que eles têm, com ainda mais amor e união. Parabéns!