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Em posição de escolher

por Renata Penna às 15:21 em 22/09/2009

Quando se pensa em parto, logo nos vêm à cabeça aquelas cenas de filmes e novelas, com as mulheres semi sentadas, de pernas abertas, em posição ‘ginecológica’, de barriga pra cima, naquele sofrimento característico que já nos acostumamos a associar ao parto normal. Muita dor, muito grito, muito desespero e muito descontrole.

Pois você sabia que essa é uma das piores posições para parir? Pois é. A posição de decúbito dorsal (deitada com as costas na cama, barriga para cima) dificulta a descida do bebê pelo canal de parto. Afinal, para que o bebê desça, tem que lutar contra a força da gravidade. Posições mais verticalizadas, portanto, em geral facilitam bastante o processo. Partos com mulheres deitadas de barriga para cima, com as pernas em perneiras ginecológicas, costumam ser mais demorados, mais difíceis, mais dolorosos.

Bem, mas então quer dizer que a melhor posição para parir é estando vertical, em pé, de cócoras ou em alguma posição semelhante? Bem, não necessariamente.

Na verdade, não existe uma ‘posição ideal’ para dar à luz. Cada mulher vai encontrar a sua forma de sentir-se mais à vontade, mais confortável. Cada mulher sente menos dor se posicionando de uma forma, não há uma regra absoluta.

Em geral, as posições mais verticalizadas, como de cócoras, por exemplo, costumam ajudar o trabalho de parto a evoluir. Mas nem todas as mulheres se sentem bem se posicionando dessa forma durante o trabalho de parto. Por isso, o mais legal é que a mulher tenha liberdade para se movimentar à vontade, sem cerceamento, e encontrar a posição que lhe faça sentir melhor.

Conheço mulheres que pariram de cócoras, de lado, de quatro. Há muitas formas possíveis. E nem mesmo adianta você se preparar muito para parir na posição x ou y, porque a verdade é que você só saberá como vai se sentir melhor na hora. É o tipo da coisa que a gente pode até imaginar, mas saber mesmo, a gente só sabe quando acontece.

É por isso que o mais bacana é a gente se entregar ao processo, deixar a coisa fluir sem racionalizar muito, sem planejar. O parto é o auge do ‘não-planejamento’. Na hora do parto, não adianta querer controlar, determinar. É preciso deixar o instinto falar mais alto, abrir mão das racionalizações. É preciso entrega.

Quando a gente consegue esse despir-se das expectativas e planejamentos, instintivamente nosso corpo busca as melhores posições, mais favoráveis para o momento. Eu, por exemplo, jamais tinha imaginado parir de cócoras. Não sou atleta, não tenho força nas pernas, e nunca havia me imaginado nessa posição para parir um bebê. Durante toda a gravidez, planejei parir Chiara na banheira. No entanto, na hora em que a vontade de fazer força veio, eu não encontrei posição dentro da banheira, não me senti confortável, e logo quis sair. Respeitei meu instinto, que me guiou para a posição de cócoras, e foi tão intenso nem pensei a respeito: Entreguei-me, assumi a posição que meu corpo me solicitava, e a coisa fluiu super bem. Chiara nasceu comigo de cócoras, sendo sustentada por trás pelo maridão, que aliás não estava parindo, mas também fez uma força danada!

 
 
Essa é uma das razões porque é importante, sempre que possível, abrir mão dos medicamentos, indutores, anestésicos. Porque eles interferem no equilíbrio natural do corpo, e tiram uma parte da sua consciência corporal, importantíssima nesse momento, para que a gente possa ter um papel ativo no nascimento dos nossos filhos.

E caso seja necessária, por qualquer motivo, uma dose de anestesia, converse com o seu médico para que ela seja administrada com todo cuidado, na menor quantidade possível, para que você ainda tenha a liberdade de se movimentar e colaborar para que o trabalho de parto caminhe da melhor forma.

Parir, afinal, não combina com passividade. Parir é protagonizar. É estar consciente, ativa. E curtindo cada etapa do processo.
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