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Existe a amamentação perfeita?

por Letícia Sallorenzo às 10:27 em 25/09/2009

Fiquei pensando nisso esta semana. Tudo por culpa do meu peito. Embora meu leite esteja farto - graças a Deus -, o que o torna a única fonte de alimentação do Thiago, meus seios estão brincando de “Médico e Monstro” comigo. O peito esquerdo vai bem, obrigada. Thiago pega ele tranquilamente, mama tudo e eu não sinto dor. O peito direito estava esta semana machucado e sangrando. E o Thiago não suga fraquinho, o que tornava a dor ainda mais insuportável. Numa dessas madrugadas, chorei e gritei de dor, e não consegui amamentar meu filho até o fim com meu peito direito.

Tive que parar de amamentar por esse peito por um dia, pra dar tempo de o mamilo se recuperar. Tirei o leite dele com uma bombinha manual, e dei ao Thiago o leite extraído numa mamadeirinha.

Nessas horas você se divide em duas. A cena do seu filho de pouco mais de um mês de idade mamando até se fartar numa mamadeira lhe inspira uma sensação dúbia, quase macabra. Um lado seu, totalmente racional, lhe diz que isso é o melhor a ser feito, porque o seu peito vai se recuperar rapidamente e você vai conseguir amamentar regularmente nas próximas 24 horas. E você se sente bem por ver o seu rebento recheando a barriguinha com gosto.

Mas seu instinto materno, que nessas horas grita horrores e consegue ser terrivelmente cruel com sua consciência, faz com que você se sinta péssima: “onde já se viu parar de dar o peito pro filho com um mês de idade? Mãe tem mais é que sofrer! Ele vai se acostumar com o bico de látex e vai largar o seu peito para sempre, e você nunca mais vai amamentar, e os céus irão desabar sobre a sua cabeça, e você vai direto pro inferno porque você é uma mãe desnaturada, e você não presta pra ser mãe porque você não sabe cuidar direito do filho, blábláblá...”. Vontade de dar um “pedala!” pro seu instinto materno ficar na dele é o que não falta. Mas que sua consciência pesa, ah, pesa!

Graças a Deus, em 24 horas de folga meu peito direito voltou ao normal – e quem ganhou folga desta vez, e por tempo indeterminado, foi a bombinha de ordenha manual.
 
 

Daí eu comecei a pensar: meu Deus, eu me senti péssima por suspender a amamentação por apenas 24 horas e em só uma das mamas! Como é que não deve se sentir uma mulher que tem plena consciência da importância e da responsabilidade de amamentar seu filhote ao descobrir que o leite secou para sempre e não vai conseguir mais alimentar o filho por conta própria?

Eu conheço dois extremos da amamentação perfeita. Um deles foi a minha própria mãe, comigo.

Eu nasci prematura, não tinha forças pra sugar o peito dela. Por isso, ela tirava o leite com bombinha para me dar com mamadeira. Por ter nascido tão pequenina e fraquinha, passei meu primeiro mês de vida na maternidade, com minha mãe me alimentando dessa maneira.

Quando eu finalmente tive alta e fui pra casa, o leite da minha mãe secou. E ela se apavorou, massageava tanto o peito para ver se saía mais leite que conseguiu um monte de hematomas na região. A solução foi comprar o alimento em bancos de leite e complementar minha alimentação com leite de soja, o único que eu conseguia ingerir e digerir sem problemas. E eu tive cólicas. E refluxo. E, no final das contas, eu cresci forte e saudável – ainda que sem ser amamentada pelo tempo regulamentar.

Por conta disso, sinto que até hoje minha mãe se ressente um pouco por não ter conseguido me amamentar direito – muito embora ela tenha sido mais vítima do que dona da situação. Ela ficou muito feliz e aliviada quando viu que meu leite era farto e suficiente pro Thiago.

Por outro lado, uma vizinha da minha mãe tem um filhinho de cinco anos que até hoje mama no peito. Mas ela também é mais vítima do que dona da situação: o filho dela é alérgico a lactose e a uma série de outros alimentos, e só se dá bem com o leite materno. Se não fosse pela santa amamentação, o menino teria sérios problemas nutricionais. E aí? O que fazer? Dar os parabéns a essa mãe pelo “belo exemplo de amamentação” ou dar graças a Deus por ela ainda conseguir alimentar o filho com o peito?

E as outras mães, que sempre sonharam em amamentar seus rebentos, mas por motivos alheios às suas vontades o leite secou, e elas não têm mais como dar o peito? O que dizer a essas mulheres? Lamento muito pelo ocorrido, tente com mais afinco da próxima vez? Isso não seria muita crueldade?

Como se não bastasse o julgamento da própria consciência, essas mulheres ainda têm que encarar a realidade de outras que conseguem amamentar os filhos sem nenhum problema por dois anos ou mais – e se sentem ainda piores, coitadas!

...e meus pensamentos se perderam por aí, apiedando-se totalmente das que querem mas não conseguem amamentar.

É isso o que acontece com a consciência de uma mulher que acabou de dar à luz: dá um nó daqueles cegos, impossíveis de serem desatados. E durma-se com um barulho desses...
  • 29/9/2009 - 14:26
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Blog da Grávida

blogdagravida@hotmail.com

Não é esdruxúlo, não! Algumas pessoas só entendem quando dói no bolso, então faz sentido. Afinal, se é indelicado perguntar qual é o salário de alguém, imagina só perguntar algo como: "mas você não amamenta????????????" Pior: a mulher responder o porquê não amamenta e ainda ter de aguentar aquela expressão desacreditada de quem acha que basta QUERER para conseguir amamentar. Não, não basta querer. Eu vi isso aquele dia, no encontro das gestantes. A mãezinha que estava lá QUERIA e MUITO amamentar. Ela realmente tentou de tudo e estava explicitamente frustrada. Ou isso, ou ela é uma candidata ao Oscar de Melhor Atriz deste ano!!! É...tem gente que pensa que a mulher que fala que TENTOU amamentar e não conseguiu está ATUANDO, é ATRIZ. Só pode...

  • 29/9/2009 - 14:18
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Mamie Bella - Letícia

leticia@notasdebeleza.com.br

Oi, dona Grávida! Foi pensando nessas mulheres que sempre e muito quiseram amamentar, mas por motivos alheios à vontade delas não conseguiram, que eu fiz esse post. Acho que, nesses casos, a cobrança da sociedade é extremamente cruel! Essas mulheres têm total noção do que aconteceu com elas e do que representa o fato de elas não amamentarem os rebentos, e ainda assim há quem as crucifique! Por isso que eu sempre digo: a gravidez é sua, o corpo é seu! Perguntar se vc vai querer parto assim ou parto assado, ou se você amamenta regularmente o bebê deveria ser considerado socialmente tão inapropriado quanto perguntar: "Quanto ganha o seu marido? dá pra sustentar a casa ou falta dinheiro na sua casa?" Sei que comparar gravidez com saúde financeiro é muito esdrúxulo, mas foi o que me veio à cabeça no momento... Meu ponto é: puxar esse tipo de papo deveria ser considerado intromissão indevida na vida alheia! Bjoquinhas!

  • 29/9/2009 - 14:11
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Mamie Bella - Letícia

leticia@notasdebeleza.com.br

Oi, Cynthia! Eu nem me encanei tanto com esse probleminha, até porque eu não sou de ficar fazendo embaixadinha na pequena área: mato no peito e chuto pra gol, ou então zuno a bola pra arquibancada. ;o) Eu consegui resolver os problemas do meu peito, graças a Deus. E, justamente enquanto agradecia a Deus por ter um problema contornável, me apiedei das que têm problemas incontornáveis... Tô usando tudo isso que vc falou: conchas de silicone (cara, o sujeito que inventou isso é candidato a Deus, né? ;o), pomadinha de lanolina, reza pra Deus, pra Anjo da Guarda (meu e do Thiago) e pra Nossa Senhora Aparecida... e tá funcionando, viu? Dependendo do dia, o Thiago mama a cada 2 horas e meia. O pediatra disse que o intervalo entre mamadas tem que ser de pelo menos 2 horas, senão meu organismo não consegue produzir leite a tempo. Ainda bem que tudo corre conforme o previsto - e os imprevistos são contornáveis! Abração!

  • 26/9/2009 - 16:30
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Blog da Grávida

blogdagravida@hotmail.com

Amamentação é um assunto que mexe demais comigo. Quero demais amamentar, estou me preparando de todas as formas possíveis (tomo sol no peito, leio sobre o assunto, vou ao curso de gestante, converso com outras mães) mas sei que nada disso é garantia de que será possível amamentar. Estou fazendo a minha parte, mas já me conscientizei (aliás, fui conscientizada por amigas que amamentaram, não amamentaram ou estão amamentando) de que o importante é a saúde do bebê. Não vou me sentir mais ou menos mãe se não puder amamentar ou se tiver de complementar a amamentação de alguma forma. Sei o quanto é importante o leite materno, sei de TUDO! Mas também sei que há casos (e muitos casos) de mulheres que não conseguem amamentar, por mais que se esforcem, por mais que tenham ajuda profissional. Lá no curso de gestante mesmo conhecemos uma mulher assim, uma mãezinha recente que estava aos prantos por não conseguir amamentar. Ela foi até lá obter ajuda das enfermeiras, da psicóloga, da pediatra, da obstetra. Tentaram de TUDO! Mas não adiantou. Não tinha jeito. O leite era pouco, insuficiente, o bebê passava fome, estava perdendo peso. Ela tentou insistir, fez tudo o que podia. Com apoio de todos os profissionais do curso ela foi orientada a introduzir outro tipo de alimentação e então começou a ver o bebê crescer, engordar, dormir bem. Ela contou pra gente o quanto isso fez mal pra ela. O quanto se sentiu menos mãe. Mas o pior mesmo, ela disse, foi ouvir as críticas dos outros (das outras, né, por que mulher é que é venenosa mesmo nessas horas). Gente que não estava na pele dela, que não sabia o quanto ela havia se esforçado, que não respeitou o que ela estava passando naquele momento. Depois de ouvir a história dela, aquele depoimento emocionado...de ver aquela mulher com seu bebê no colo, tão carinhosa, tão apaixonada, tão MÃE, fiquei com mais RAIVA ainda das pessoas que criticam os outros deliberadamente, sem consciência do estrago que estão fazendo (fiz um post no blog esta semana sobre isso, sobre essa mania de meter o bedelho na vida dos outros, de querer impor uma ideologia). Adorei o que você escreveu justamente por que mostra o lado frágil de todas as mães recentes. Tenho certeza que mesmo aquelas que posam de "sabe-tudo", "eu-me-garanto", "sou-mais-eu" têm seus momentos assim, de briga acirrada com o instinto materno e a LÓGICA. Normal, não é? Afinal, somos HUMANOS! BEijo! Amei a foto do Thiago no peitão recuperado!

  • 25/9/2009 - 12:57
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Adriana

adrianastock@hotmail.com

Falando em amamentação, alguém viu a tal mãe que amamenta a filha até os oito anos de idade? Isso é amamentação perfeita???

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