O essencial e o acessório
por Letícia Sallorenzo às 19:53 em 06/10/2009
Aeroporto de Congonhas, 25/12/2002 (calma que o texto vai chegar no Thiago!)
Ganhei do meu então namorado Fernando, uma linda aliança de ouro branco e amarelo, com um mini-diamante no meio. Ele me pediu em casamento!
Nesse momento, tudo aquilo em que nosso relacionamento estava se transformando ganhou uma luz especial. O essencial desde o início de nossa relação (amor, respeito, companheirismo, cumplicidade e maturidade para encarar um relacionamento interestadual por quase três anos) ganhou uma aliança de noivado, um acessório - a princípio supérfluo - que revelou-se um tempero delicioso para nossa relação.
A aliança de noivado não cessou de espalhar seus bons fluidos: despertou ainda mais uma beleza muito gostosa dentro de mim. A beleza de me sentir feliz. Quando olhava meu dedo com aquela aliança linda, me sentia ainda mais feliz – e mais bonita, por tabela.
Com essa beleza essencial, posto que vinha d’alma, brotava a vontade de mostrar a beleza acessória: no primeiro dia de trabalho depois de “ficar noiva” (por mais antiquado que isso possa parecer) senti uma necessidade deliciosa (modo perua ligado, claro) de combinar com o acessório novo em meu dedo: decidi me arrumar, fazer escova e as unhas, passar batom, vestir uma roupa linda e alegre e uma salto altésimo – enfim, me mostrar mulher feliz e decidida.
A partir desse momento, eu vivi e construí uma relação conjugal com os ingredientes desse essencial, mas me dei ao luxo de curtir os preparativos do grande acessório que é a cerimônia de casamento: vestido de noiva, buquê, bufê, igreja, papelada, etc, etc, etc... foi uma correria só, mas consegui organizar uma cerimônia seguida de uma festa mágica e gostosa, numa das igrejas mais aconchegantes e concorridas do Rio de Janeiro.
Depois de quase cinco anos de união estável e de ter que adiar algumas vezes a gravidez querida e desejada por motivos financeiros ou de saúde, o mais próximo de um filho que eu tinha conseguido até então era o Zé. Mas ele era apenas um cachorrinho, um grande amigo e companheiro com algumas “funções” de filho embutidas, basicamente as preocupações com a saúde dele.
Claro que, por mais querido e simpático que seja, o Zé tem quatro patas e um focinho. Não é gente. Faltava fazer um filho. E faltava ser mãe.
Escritório da minha casa, 19 de dezembro de 2008 (chegou no Thiago, viu?)
Entrei no site do laboratório onde fiz o exame de Beta-HCG, que confirma a gravidez ao apresentar índice igual ou superior a 25. Meu resultado: 952,6. Gravidésima. Mais um essencial na minha vida: uma sementinha linda, querida, amada e desejada.
Esse novo essencial despertou uma série de novos acessórios igualmente deliciosos: fazer a cartinha da cegonha para os avós, descobrir o sexo do bebê, escolher os móveis do quarto, a pintura da parede, montar o enxoval, organizar um monte de chás de bebê, escolher A camisola para a maternidade... todas aquelas coisas que quem vai ter filho planeja fazer.
Esses acessórios todos trouxeram o tempero especial para aquelas 40 semanas que antecedem o momento de se tornar mãe, que foram vividas de forma leve, livre, divertida, agradável e saudável.
Claro que você se sente mais bonita nessas horas. Aquela beleza que mora lá dentro da sua alma fica toda assanhada nesse período. Ao se descobrir grávida, você se preocupa ainda mais com o seu corpo em todos os sentidos.
E, no meio da minha gravidez, ainda fui apresentada à linha Mamie Bella. Descobri uma série de acessórios que ajudam a aflorar essa beleza que vem de dentro d’alma. Ao sentir o perfume desses produtos, fui lembrada de que estava prestes a ser mãe, mas não deveria jamais me esquecer do prazer de ser mulherzinha, que curte se arrumar e se embonecar quase que por hobby.
21 de agosto de 2009, Maternidade Santa Catarina
Finalmente, descubro como é ser mãe. Sensação marlinda do mundo, gente! É o supra-sumo do essencial. Duas almas que se cruzam para que uma desperte a cada dia a beleza da outra – e vice-versa. Dois essenciais tão unidos que, quando o bebê quer mamar, o peito da mãe começa a latejar de tão cheio de leite. Sintonia fina e pura. Felicidade suprema.
É o momento de cruzar os olhos com os do seu filho e ver espelhados e perpetuados no frescor daquele olhar todos os seus parentes. E então, sentir-se importante, adulta, completa, feliz, ativa, viva. É cuidar daquele serzinho frágil, pequenino e indefeso que depende de você para tudo. É, enfim, ser mãe.
Assim é a vida: essenciais que se cercam de acessórios. Os acessórios não são tão importantes quanto os essenciais, mas ajudam a trazer mais brilho, luz e prazer a eles. Cabe a nós saber a hora de separar um do outro, e a hora de misturar os dois de forma prazerosa e deliciosa.
E você? Sabe viver os essenciais e os acessórios de sua vida?