Galinha velha não dá bom caldo
por Letícia Sallorenzo às 18:47 em 06/11/2009
Leitoras, preparem-se. Esta é mais uma história sobre amamentação. Espero que vocês não achem cansativo tantas versões sobre como (não) dar o peito, mas é que esse assunto é realmente crucial para o desenvolvimento de qualquer criança. E eu faço questão de contar aqui o que aconteceu comigo esta semana, senão eu explodo! Ao final deste post, vocês vão entender o porquê.
Era setembro e eu estava feliz da vida porque estava conseguindo alimentar o Thiago exclusivamente com o meu peito. Até que o mamilo começou a rachar, eu comecei a tirar o leite com bombinha, meu peito começou a empedrar... e o Thiago não ganhou o peso adequado nesse período.
Na terceira consulta com o pediatra dele, no dia 30 de setembro, o veredicto:
- O Thiago não está ganhando peso suficiente, vai ter que tomar complemento alimentar!
- Mas, doutor, como pode? Meu peito está empedrando, pra mim ele está mamando o suficiente!
- É, mas não está. Ele está passando fome. Você vai ter que complementar o seu peito.
- Puxa, eu estava crente que eu ia dar só o meu peito pra ele até os seis meses...
E desandei a chorar no próprio consultório.
Ao sair do pediatra, o Fernando (que estava comigo na consulta) disse que era melhor que a gente introduzisse logo a mamadeira para que o nosso filho não perdesse peso e crescesse saudável. Ele falou isso com a melhor das intenções. E com a total das inexperiências. Meu coração de mãe me dizia que aquilo estava muito, muito errado. Mas naquela hora eu estava emocionalmente em frangalhos. Deixei que o Fernando decidisse, e ele comprou uma latinha de leite pra recém-nascido.
Chegamos em casa. Dei meu peito pro Thiago enquanto o Fernando preparava o leite de mamadeira. Quando o Thiago acabou de mamar no meu peito, Fernando pegou ele nos braços e deu 60 ml de leite artificial pro nosso filho. O Thiago mamou tudo de uma vez só, quase que sem respirar, e dormiu tranqüilo e feliz com o bucho cheio. E eu, ato pronto, caí em prantos mais uma vez: não estava sendo capaz de alimentar meu filho. Derrota total. Essa dor eu não desejo a mulher nenhuma.
O tempo foi passando, eu fui me resignando, e cada vez mais o Thiago preferia a mamadeira ao meu peito. Isso me doía demais, me estressava horrores, mas minha resignação tinha meio que sossegado meu coração. Que ainda assim teimava em me dizer que aquilo tudo estava muito errado. E o meu peito continuava a produzir o leite em quantidade bem razoável. De vez em quando, chegava a empedrar.
Até que veio o último fim de semana de outubro, antes do feriado. Thiago ficou dois dias sem fazer cocô, esperneando e fazendo força, sem sucesso. Eu me mantive calma, pois o pediatra havia me avisado, logo na primeira consulta, que era normal uma criança ficar até dois dias sem evacuar. Não precisa ter muitos neurônios pra saber que o que causou essa prisão de ventre tão avassaladora era o leite de lata, né?
Na segunda-feira pela manhã eu liguei pro médico, que receitou supositório de glicerina.
[Como não é de bom tom escrever palavrões aqui, eu peço que você pense em um palavrão, a seu inteiro gosto, e imagine-o aqui nesta parte do texto, com toda a sua indignação. Muito obrigada. Voltemos ao texto]. Foi tiro e queda. Mas desde então o Thiago não conseguia evacuar naturalmente.
A coisa chegou ao ápice no feriado de finados. Na segunda-feira, o cocô dele estava tão ressecado que tinha forma (totalmente anormal num bebê de dois meses), e ainda estava com pontinhas de sangue, de tanta força que o pobrezinho fez.
Liguei pro pediatra, que receitou suquinho de mamão com laranja para ele
[sabe o lance de introdução do palavrão? Você me faz o favor de introduzir uns cinco aqui? Obrigada, viu?]. Eu perguntei: qual a quantidade, doutor? “Ah, uns 15, 20, 30 ml, quanto você quiser dar!”
[De novo, por favor. Agora, uns dez palavrões! Obrigada mais uma vez!] Eu respirei fundo, dei 20 ml do suquinho de mamão com laranja pro bebê, porque minha mãe me disse que meu irmão tomava suco de laranja lima com essa idade. (Então não mata, pensei eu com meus botões).
Mas meu coração conseguiu finalmente estabelecer contato racional com o meu cérebro, e me fez pensar naquela consulta do complemento alimentar. Pô, meu filho abaixo do peso e eu com o peito empedrado, não precisa ser engenheiro pra entender que o que estava errado era o processo de amamentação, e não a eficácia do leite, né? Eu devia estar fazendo alguma coisa errada, ou o meu bebê não estava sugado apropriadamente – e eu não estava corrigindo o erro dele.
Nesse momento eu decidi que multinacional nenhuma iria mais patrocinar a prisão de ventre do meu filho.
Mas, como eu faço questão de sempre agir sob supervisão médica, resolvi ouvir uma segunda opinião.
[E é agora que eu peço a você, querida leitora, que pense em todo o seu estoque de palavrões.] Fui a uma médica mulher, que não só confirmou o procedimento do outro pediatra como aumentou a quantidade de leite a ser administrada ao Thiago.
E, ao me ver amamentando o meu filho no próprio consultório e conferir a quantidade de leite que saía da outra mama, me falou: “Sinto muito, querida, mas desista. Você tem muito pouco leite, não vai conseguir alimentar seu filho. Essa quantidade é suficiente apenas pra passar a ele os seus anticorpos. Lamento lhe informar, mas galinha velha não dá bom caldo!”
[Aqui! Jogue aqui todo o seu estoque de palavrões!]
Se você quer saber por que eu não voei na jugular daquela mulher na hora, não pergunte a mim, pergunte a Deus. Ajudou também o fato de eu estar com meu filho nos braços amamentando ele, para que eu mantivesse a calma e serenidade.
Fui buscar ajuda numa ONG de apoio à amamentação. Não me pergunte qual é, porque eu realmente não me lembro. Sei que joguei no Google e encontrei o nome de uma moça a quem pedi conselhos. Ela me passou o telefone de uma pediatra com o tal do perfil mais humanizado que está tão em moda atualmente. Liguei pra ela: “Só aceitamos dinheiro ou cheque. Não temos convênio médico. E o valor da consulta é R$ 240”. Perfil humanizado a R$ 240, quem curte? É claro que, se não me restarem mais opções, eu vou na dona humanista-R$ 240. Mas ainda me restavam alternativas.
Resolvi dar uma última busca na lista de conveniados do meu plano de saúde. Encontrei um pediatra homeopata. Liguei e consegui um encaixe no dia 5 de novembro. A princípio não gostei muito do consultório dele. Estava muito descuidado, com a tinta velha nas paredes e com os móveis velhos. Muito diferente dos consultórios dos outros dois pediatras que eu freqüentava. Mas resolvi dar o crédito a ele. E não me arrependi, viu?
Ele concordou que o leite de lata estava fazendo mal ao Thiago, disse pra eu tirar a mamadeira e me avisou que não ia ser fácil. E, se o meu leite por um lado não engordar meu filho o suficiente, por outro não vai deixá-lo desnutrido. E nós vamos tentar ao máximo manter o Thiago exclusivamente no aleitamento materno. Caso isso não seja possível, em última instância ele prescreverá o tal do complemento. Achei justo, honesto, sincero e coerente.
E cá estou eu a dar o peito praticamente a cada 15 minutos pro Thiago. Se estou achando ruim? Claro que não! Estou adorando! Afinal de contas, estamos falando da saúde do meu filho, né? Nem vou entrar aqui naquela ladainha de interação mãe e filho, e anticorpos e etc. porque essa história deve ser vivida por cada mulher, mais do que ser dita da boca pra fora. E acreditem: a experiência está sendo maravilhosa.
Graças a Deus tenho um bebê bicólatra: o meu filhote abocanha tudo quanto é tipo de bico, sem preconceitos: mamadeira, chupeta, seio da mãe... passou perto, ele abocanha! :o) e, nessa história de come isso e prova daquilo, a única coisa que o draguinha se recusou a ingerir foi água: troço mais sem graça... ;o)
Aproveito este post aqui pra agradecer do fundo do coração ao pessoal do grupo da turma da Barriga, no Twitter, em especial às meninas @lubrasil, @crissferrari e @flavoli, que me deram apoio, orientação e ajuda. E também ao Edu Ferrari, o @3df, que não é do grupo mas me segue no microblog. Valeu mesmo por todo o apoio e orientação, pessoal!
Não sou radicalmente contra o emprego do complemento alimentar na alimentação dos lactentes. Eu até entendo que há casos em que esse alimento é de extrema importância, e significa a diferença entre a vida e a morte para uma criança. Mas, definitivamente, o Thiago está longe de se enquadrar nesses casos.
Eu até pensei em chamar aquela (cof, cof) médica (cof, cof) de vaca, mas não vou fazer isso. Além de ser um animal sagrado na Índia, quem está fazendo vestibular de vaca nessa história toda sou eu! Nem faço questão de ser uma holandesa premiada, uma vaquinha Maiada pra mim já está ótimo! Alguém tem uma apostila aí pra me ajudar? ;)
Mas definitivamente, doutora, galinha velha é a #$%%¨&$&*$%#$%!¨%@!#$%¨W%@#$$%, viu?
- 10/11/2009 - 11:48
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Mariana
mvtezini@hotmail.com
É da 13:30 as 15:30, já sabe o endereço, né?
Você pode conhecer o cinematerna também, no final do filme vamos tomar um café no starbucks e o papo é delicioso. Eu trabalho de terça no unibanco da augusta, mas em SP também tem as quintas e sábados, olha o site: http://www.cinematerna.org.br/
Beijo
- 9/11/2009 - 12:48
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Mamie Bella - Letícia
leticia@notasdebeleza.com.br
Oi, Mariana! Vou tentar dar um pulinho na Matrice na próxima sexta-feira, OK?
A que horas é a reunião?
Beijinhos!
- 9/11/2009 - 12:18
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Mamie Bella - Letícia
leticia@notasdebeleza.com.br
Oi, Lyanne! Menina, pensei muito em você essa semana inteirinha viu? E uma das razões por eu ter embirrado de vez contra o leite de lata foi o seu depoimento! Ora, a Lyanne conseguiu ficar só no peito! Então, eu também vou conseguir!
A sensação de dar mamadeira pra uma criança de menos de três meses é realmente muito estranha! Pô, quem deixou aquele serzinho fofo quebrar o contrato de exclusividade com o seu restaurante, né? ;)
Saudações bovinas a você desta vaquinha Mococa que vos fala! :o)
- 9/11/2009 - 12:14
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Mamie Bella - Letícia
leticia@notasdebeleza.com.br
Oi, Tânia! O que me irrita nesses profissionais humanizados é que eles são também muito elitizados. A saúde e o bem-estar do meu filho também valem 100, 240, até mais se for o caso. Mas acho isso meio exploração, entende?
Quanto à médica, não sei se vale a aporrinhação de denunciar. Estávamos só nós duas no consultório, será a palavra dela contra a minha... é um caso a se discutir com o meu marido! Não se preocupem que eu conto como a coisa tá se desenrolando, por aqui e/ou pelo Twitter! Me sigam: @lelezinga
Bjocas, e voltem sempre!
- 9/11/2009 - 11:22
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Mariana
mvtezini@hotmail.com
Leticia, as reuniões da Matrice ajudam em todos os aspectos: lá vc divide sua experiência, ouve outras mães com dificuldades maiores e menores e troca tanta informação. Fora que as meninas de lá tem um alto conhecimento do aleitamento e te ajudam a resolver qualquer problema. Fui muito e vi ajudarem mães que quase não tinham mais saida. Quando for avise.
Beijo e dê muito peito pro Thiago