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Historinhas que tocavam na vitrola

por Letícia Sallorenzo às 18:26 em 12/11/2009

Vocês se lembram da Coleção Disquinho? Aqueles vinis compactos, coloridos, com historinhas de contos de fadas, fábulas e cantigas de roda, que a gente ouvia naquela vitrolinha portátil que tinha uma tampa que também era a caixa de som?
 
É, eu o-dei-o entregar minha idade, mas desta vez vou abrir uma exceção.

Com o advento do Thiago, comecei a resgatar essas lembranças legais da minha infância. Ainda estou em busca do CD com a trilha sonora original do Sítio do Pica-pau Amarelo. Mas encontrei um monte de Disquinhos, com várias historinhas. Transformei tudo em MP3. Deixo todas as historinhas rodando em shuffle no computador pro Thiago ouvir.

Meu pequerrucho, do alto de seus dois meses e meio de idade, até acha interessante ouvir vários timbres de voz e ficar olhando pra todos os lados em busca da origem daqueles sons doidos. Mas quem está se divertindo a rodo com essas historinhas é esta que vos fala. E meus neurônios são de uma produtividade tal que começam a viajar até mesmo ao ouvir as inocentes (inocentes?) historinhas que povoaram a imaginação das crianças das décadas de 1960 e 1970.

São historinhas com uma ficha técnica de dar inveja a muito marmanjo de hoje em dia: canções de Braguinha com arranjos de Radamés Gnatalli, interpretados por vozes afinadas e muito bem dirigidas e produzidas.

Meus neurônios entraram em choque ao (re)ouvirem historinhas clássicas dessa coleção, como o Macaco e a Velha, Dona Galinha e Seus Pintinhos, Festa no Céu, O Burrinho Tró-ló-ló... histórias que não passariam pelo estranho controle de qualidade do politicamente correto! Contêm traços de racismo, abandono de incapaz, bullying... mas, poxa, eu ouvia tudo isso quando era pequena, e não me atingi negativamente por nenhuma dessas historinhas! O que será que mudou na sociedade de lá pra cá, hein?
 

Alguém se arriscaria hoje em dia a contar às crianças uma história onde a galinha está mais interessada em ir pra balada do que chocar seus ovinhos e, ao voltar, descobre que os filhos nasceram e ela não estava presente? Ou, então, uma historinha onde todos os personagens tiram sarro do rabinho do burrinho?

Será que no século XX ainda havia uma certa aura de inocência que desapareceu com o tempo?

Mas eu curto mesmo é ouvir a historinha do Cabra Cabrez. Miacaaaaaaabo com esse personagem! Por mais que ele seja o vilão, torço por ele! Tomei antipatia pelo coelhinho do caldinho de cenouras! Acho que eu gosto é de quando ele diz Eu sou o Cabra Cabrez! Vai-te embora, coelhinho, que de um eu faço três! Eu repito essa frase pro Thiago, que gargalha ao ouvir a mãe fazendo voz com timbre diferente. Daí, vem o final (que eu não vou contar, mas se você quiser ouvir clique aqui), e eu começo a criticar mentalmente (Como assim, acabou? É assim que a história se conclui?) e me dou conta de que adulto é um bicho muito chato! Criança é muito mais fácil de se contentar, viu?
 
Não sei se vocês perceberam, mas ouvir essas historinhas é voltar a saborear um pouquinho da infância que ficou lá pra trás (na semana passada! O passado remoto aconteceu na semana passada, sempre!), acompanhada de uma pessoa com quem jamais imaginei ouvir essas historinhas antes: meu próprio filho. É uma sensação estranha e muito gostosa de sentir os prazeres e sons que marcaram uma geração começarem a ser passados para a geração seguinte. E louca, muito louca.
 
Noves fora, recomendo fortemente que você adquira alguns itens da coleção Disquinho, que foi relançada em CD no início deste século. Essa coleção marcou algumas gerações, e ouvir algumas historinhas dessas junto com seu filho vai te trazer uma sensação deliciosa de partilha de felicidade e de um tempo que não volta mais.

Nem que seja pra descobrir que Atirei o Pau no Gato tem duas estrofes.
  • 16/11/2009 - 20:48
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Mamie Bella - Letícia

leticia@notasdebeleza.com.br

oi, dona Grávida! Outro dia me peguei imaginando a cena: eu, abordada por um marronzinho da CET, abro o vidro do carro. toca no CD player a historinha do Cabra Cabrez. Na hora em que o marronzinho da CET vem falar comigo, o cabra Cabrez manda o coelhinho ir embora. Mas, em vez de "coelhinho", o fiscal da CET entende "marronzinho", e sai correndo... Cara, ia curtir muito pagar essa multa, viu? ;o) Bjoquinhas!

  • 16/11/2009 - 20:46
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Mamie Bella - Letícia

leticia@notasdebeleza.com.br

Oi, Cynthia! É justamente esse raciocínio que me assusta - para os dois lados: o que é errado? ensinar atirei o pau no gato pra uma criança de 4 anos, ou esperar que o caráter de uma criança de 4 anos seja moldado pela letra de atirei o pau no gato? Falo à beça disso com minha comadre. privar uma criança de cantar e brincar de roda ao som de atirei o pau no gato é saudável, ou mais saudável seria ensiná-la a cantar essa música, mostrá-la o que está errado e dizer a ela como ela deveria agir? Isso é evolução do ser humano para algo melhor ou é perda de tempo de pais, mestres e das próprias crianças com valores éticos e morais expressos em músicas e historinhas que (aparentemente) não afetou negativamente pais e, teoricamente, não afetaria os filhos? ah, não sei, viu?

  • 16/11/2009 - 16:35
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Aninha Arantes

ana.arantes@gmail.com

Que saudade desses disquinhos!! E tinha também uma coleção da Abril, eu acho, que tinha "Os Três Amigos", que era um encanto!!! Não acho que o "politicamente incorreto" dos enredos seja assim tão deletério... Ainda mais em crianças tão pequenininhas. Mas é até uma boa oportunidade de discutir essas coisas todas com as crianças maiores, que já consigam compreender a história, ué!?!

  • 16/11/2009 - 10:44
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Cynthia Santos

cynthia@casapoderosos.net

Essa questão do "politicamente correto" tem me persguido demais... canções como "atirei o pau no gato", "nana neném" e outras mais me soam estranhas quando ouvidas com ouvido de "gente grande"... ehehehe E o pior, não quero contá-las pro meu filho, o máximo que me permito é cantarolar, e ainda assim, não prestar atenção à letra! E tembém fico me perguntando porque não dava a mínima pras essas coisas "erradas" nas canções e historinhas... talvez seja um sinal de que o ser humano esteja finalmente evoluindo pra algo melhor (de algum jeito e em algum lugar temos que começar, né?)

  • 14/11/2009 - 18:19
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Blog da Grávida

blogdagravida@hotmail.com

Ai...viajei no tempo agora. Primeiro me senti muuuuito velha (hehehe), depois me senti criança de novo. Que delícia. Eu tinha esses disquinhos e também uma vitrolinha dessas. A vida era muito mais simples. A infância era muito mais longa e livre. Sei que tudo isso soa nostálgico demais, mas não me importo. Quiçá eu possa dar a meu filho uma infância tão rica e maravilhosa como a minha, de brincadeiras simples no quintal, na rua, disquinhos de histórias. Pouca tv. Nenhum consumismo.

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