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Ser mãe, ser mais, ser melhor

por Renata Penna às 15:43 em 21/12/2009

Quando estava escrevendo o texto anterior, fiquei pensando muito sobre o infinito de transformações que os filhos trazem para a nossa vida. A chegada de um filho muda tudo na gente, em todas as esferas. A gente muda como mulher, como esposa, como filha, como amiga, como profissional, até mesmo como ‘serumana’, como diria uma espirituosa amiga.

Se eu fosse falar de tudo o que aprendi e transformei com a maternidade, ficaria aqui até  o ano que vem. E aí provavelmente já teria descoberto e aprendido tantas coisas novas, que teria que começar tudo de novo. É, a estrada é infinita.

Mas uma coisa bacana que fiquei pensando é em como os filhos ajudam a gente a se reinventar, e a repensar nossas limitações. Os filhos fazem a gente ir além do que imaginava que podia, o tempo todo. E isso é tão, mas tão incrível, um presente mesmo.

Já começa na gravidez: quando vai chegando no finalzinho, com aquela barriga imensa, aquele peso extra inacreditável, pés e mãos inchados, aquele cansaço, a falta de posição pra dormir... tudo aquilo que, em condições normais, a gente acharia uma tortura insuportável. Mas uma leve mexidinha do bebê dentro da barriga nos faz achar tudo isso o máximo, olhamos no espelho e nos achamos lindas com aquela barriga gigante, acordamos com uma disposição imensa que nem sabemos de onde vem. É da felicidade enorme de estar carregando aquele pedacinho da gente do lado de dentro.

Depois vem o parto. Conforme as dores vão aumentando, não são poucas as vezes que a gente pensa: 'pronto, já deu! Não agüento mais!'. Aí a gente respira, relaxa, se conecta de novo com aquele bebezinho que está fazendo um esforço tão grande quanto o nosso para vir ao mundo da forma mais natural e saudável. Como por milagre, a dor que era indescritível fica um pouquinho mais suave. E a gente agüenta um bocadinho mais. E mais e mais. Quando vê, lá está o bebê coroando, e a gente com aquela sensação deliciosa de missão cumprida, por ter encarado um trabalho de parto naturalmente.

Com o bebê em casa, o cansaço é grande. Adaptar-se à rotina de um recém-nascido, virando tudo de cabeça pra baixo, custa, ainda mais para as mães de primeira viagem. E uma hora, a gente olha pro lado e pensa: 'caramba, quero a minha vida de volta!!'. Aí o bebezinho acorda, faz aquele barulhinho delicado, chora aquele choro pedinte que deixa a gente derretido de tanto amor, e a gente percebe que faria tudo de novo.

E a amamentação? Às vezes, no começo, não é fácil. É bebê pendurado no peito o dia todo, a gente sem folga pra tomar banho, pra fazer uma refeição com tranqüilidade, pra tirar uma soneca sem interrupções. E tem as dificuldades com ganho de peso, com os mamilos rachados, com a pega incorreta. Tem horas que a gente pensa mesmo: 'cheguei no meu limite!'. Aí o bebê dorme um tantinho mais, e a gente chega a sentir saudade de ter ele pendurado no peito. Se sente meio vazio sem aquele pacotinho pra carregar pra baixo e pra cima. Aí a gente se dá conta que dá pra fazer mais, e com um sorriso no rosto.

E assim vai conforme o bebê vai crescendo. As noites sem dormir, as doencinhas, as febres, as carências, a gente tentando dar conta de tudo, ser mãe, mulher, amiga, profissional, tudo ao mesmo tempo agora. E vira e mexe a vontade é puxar a cordinha: pára o mundo, que eu quero descer!

Aí o pequenino chega perto, abraça as nossas pernas, olha pra gente daquele jeitinho maroto, abre um sorriso de orelha a orelha, diz alguma coisa toda cheia de graça, e a gente percebe que não trocaria aquele momento por nada no mundo.

Os filhos fazem isso pela gente: ajudam a gente a descobrir uma força que nem sabia que tinha. Presenteiam-nos com a possibilidade de descobrir tudo o que podemos ser, todo o infinito que podemos abraçar, quão longe podemos chegar.

Eu, com as minhas três mocinhas, descobri e venho descobrindo, a cada dia, uma Renata que não conhecia. Uma Renata mais forte, mais capaz, mais segura, mais consciente. Uma Renata que ama e se doa com muito mais intensidade. Uma Renata que chega muito mais longe.

Uma Renata que nasceu com elas. Com elas, e para elas.
 
 
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