Uia! É natal!
por Letícia Sallorenzo às 16:06 em 06/01/2010
Data
curiosa essa, o Natal. À medida que eu fui crescendo, a importância e
relevância dessa data foi se modificando na minha vida...
Quando
eu era criança, gostava mais do Natal do que do Ano Novo: era época de
toda a família se reunir, minhas primas de Brasília vinham passar as
férias no Rio de Janeiro, todos iam para a casa da minha madrinha pra
ceia da Véspera de Natal, meu pai falava besteiras, todos riam... tudo
isso regado a muito refrigerante e, o que é melhor, no dia 25 de manhã
o Papai Noel tinha deixado o nosso presente do lado da cama! Show de
bola!
Daí,
veio a adolescência. Tudo era um saco. Ainda assim, no Natal minhas
primas de Brasília vinham pro Rio, a gente se divertia e ganhava
presentes dos pais. Não se questionava que Natal era época de reunir a
família.
A
juventude trouxe um certo ceticismo em relação ao Natal. Ainda mais
quando você perde sua avozinha querida num dia 17 de dezembro. Não se
tem mais motivos para comemorar o Natal, e aquela que era a agregadora
da família se foi. Pra quê ficar em casa, se a família não vai fazer
festa, ninguém vai se reunir? Ah, é só almoçar no dia 25 com todo mundo
e tá tudo certo.
Mas
quando eu conheci o Fernando, voltei a me lembrar de como o Natal era
legal. A família inteira se reunia na casa da tia Ângela, vinham os
primos do interior, e uma grande tradição: o presente da tia Vera. Era
uma lembrancinha de nada. Geralmente, um presentinho bem baratinho,
comprado na rua 25 de março.
Todos
os reunidos na festa ganhavam o mimo da tia Vera, que fazia questão de
não se esquecer de ninguém. E aquele breguetinho (um anelzinho, um
bloquinho de notas, uma caneca de plástico) ficava perambulando à nossa
volta o ano inteirinho, nos lembrando da tiazinha querida que nos deu o
mimo.
A
tia Vera se foi em 2003. Também perto do Natal, num final de novembro.
Mas o Fernando e a tia Ângela não deixam o “presente da tia Vera” ir
embora. Todo ano a gente se junta pra dar a lembrancinha a cada um que
participar da noite de Natal. Ainda assim, alguma coisa ficava a faltar
nos meus natais. Uma lacunona ficava lá, aberta, pronta pra ser preenchida. Eu só não sabia como preencher.
Aí,
2008 estava quase indo embora, quando eu me descobri grávida – na
sexta-feira antes do Natal. Muita emoção, correria, felicidade e um
extremo cuidado com o que comer, como comer, por que comer etc., etc.,
etc.
Neste
Natal de 2009, eu descobri como preencher a tal lacuna que ficava aberta. Olho para o meu filho, e me lembro que no Natal nós
comemoramos o nascimento de uma criança que veio pra nos trazer esperança, paz,
harmonia e, principalmente, AMOR. Modéstia à
parte, me identifico pra caramba com o orgulho e a felicidade da Maria de
Nazaré, viu?
Feliz Natal pra você também! Que suas lacunas sejam lindamente preenchidas como as minhas foram em 2009!