Vacinação tem limites
por Letícia Sallorenzo às 17:07 em 03/03/2010
Aconteceu com uma colega de trabalho: Aos 30 anos, sua visão do olho direito não é plena, por causa de uma doença mal diagnosticada – se não me engano, tétano. Mas não foi exatamente culpa do médico.
Aos seis anos de idade, Judith (nome fictício, sempre quis usar esse artifício! ;o) apresentava determinados sintomas de uma doença. Uma das primeiras perguntas que o médico fez foi: a vacinação está em dia? Tétano, rubéola, catapora, sarampo etc, etc, etc? Sim, estava tudo em dia. Portanto, tais doenças estavam descartadas. Mas os sintomas não desapareciam com o tratamento.
Até que, alguns anos depois de a doença persistir, o médico resolveu pedir sorologia de anticorpos contra algumas doenças. E descobriu que a Judith não estava imunizada contra doenças cujas vacinas ela havia tomado no prazo certo. A explicação: Judith havia recebido as vacinas numa clínica particular. Estavam com prazo de vencimento expirado – portanto, não lhe fizeram efeito.
O médico então ensinou (tardiamente) à mãe da Judith que vacinas devem ser dadas em postos de saúde do governo, porque são consumidas mais rapidamente por maior número de pessoas, portanto não dá tempo de o prazo de validade expirar.
Some-se a essa historinha escabrosa a suposta epidemia de febre amarela, que assolou o país há alguns anos, e que levou aos postos de vacinação indivíduos que jamais deveriam tomar a tal vacina – tanto que morreram, alguns por tomarem mais de uma dose da vacina contra febre amarela!
E aí, como fica a mãe neurótica e paranóica contra vírus e bactérias ( o/ ) nesse tiroteio de informações, principalmente quando o sacrossanto pediatra vira-se para ela e diz que na clínica tal seu bebê será imunizado contra os vírus A, B, C e XPTO, e é lá que a vacina deve ser dada, a um custo que pode chegar a mais de R$ 500?
Pra começo de conversa, vacina não é remédio. Enquanto estes são compostos químicos que vão agir no corpo e nos fluidos do indivíduo de forma a curar determinados sintomas, a vacina é um troço um pouco mais sinistro. É um preparado de vírus (devidamente abobalhados, amansados e domesticados, por assim dizer) da doença contra a qual o indivíduo vai ser imunizado que será injetado no corpo da pessoa, que vai “estudar” o inimigo e vai aprender por conta própria a se defender contra aquele invasor.
Por aí já dá pra perceber que não é só chegar no posto de saúde e ir oferecendo o braço à enfermeira que tá tudo resolvido. Para estar apto a receber determinada dose da uma vacina, uma pessoa tem que preencher uma série de requisitos.
Um bebê, por exemplo, tem que ter um mínimo de maturidade do sistema imunológico pra poder conversar com vacinas de pólio, BCG, hepatite e etecéteras. E ainda assim pode ter febre e uma série de reações contra o corpo estranho.
Outra coisa: se você ficou com dúvidas depois de ouvir o sacrossanto pediatra lhe recomendar várias vacinas extras que não constam na caderneta de vacinação, antes de ficar tentada a vacinar seu pequerrucho para assim protegê-lo de todos os tipos de vírus, lembre-se de que imunização é um assunto de saúde pública, e não simplesmente de cuidados maternos. Trata-se de manter toda uma população protegida contra determinadas ameaças biológicas.
E a autoridade máxima responsável por determinar contra quais vírus a população deve ser imunizada é a Autoridade Sanitária Nacional. No caso do Brasil, o Ministério da Saúde. A Caderneta de Saúde da Criança é o documento mais completo sobre o assunto. Se a caderneta diz que aos dois meses de idade a criança deve tomar a vacina antipólio, tetravalente e contra rotavírus, não invente mais nada. Já é informação demais pro sistema imunológico da criança, que assim estará protegida contra todas as potenciais ameaças a sua saúde.
Além do quê, lembre-se do seguinte: dói muito (no bebê e na mãe) a picada de uma vacina, né não? Então, pense muito bem antes de dar ao seu filho vacinas que não constam do calendário do ministério da Saúde.
- 9/3/2010 - 8:22
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nanda
nandagalvao@gmail.com
Concordo com o que Ana comentou, existem vacinas muito importantes que não sao aplicadas pelo governo....
Letícia achei vc muito radical, pois como a Ana disse se as vacinas particulares que o governo vai aplicar agora não fossem importantes...o governo não passaria a dar elas no calendário desse ano....
Temos que ter cuidado...sim, mas isso não indica que devemos ser radicais.
- 7/3/2010 - 12:16
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MAMIE BELLA - Lyanne Rehder
casalmaly@gmail.com
Oi Roberta... tks pelas palavras :) ... sobre a BCG, sim ela foi dada ainda na maternidade no segundo dia de vida do Gael, junto com a Hepatite B e a Tríplice Bacteriana. ... Hoje o tratamento de dois meses já está terminando e o gânglio já está sumindo. Semana que vem vamos ao médico para ver se o traramento acabou ou não ;)
- 5/3/2010 - 21:12
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Roberta Ribeiro
robertampribeiro@hotmail.com
Lyanne, fiquei passada com o que aconteceu com o Gael. Tudo vai dar certo para esse gurizão lindo, tenho certeza!
Mas fiquei com uma dúvida...a vacina BCG é dada na maternidade?
Aqui no RS a vacina que é dada na maternidade assim que o bebê nasce é a da hepatite, a BCG é um tempo depois.
- 5/3/2010 - 12:59
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MAMIE BELLA - Lyanne Rehder
casalmaly@gmail.com
Pois é Leticia querida... também passamos por esses dilemas aqui em casa, ainda mais pq tenho na família uma prima que teve sua cordenação motora debilitada para o resto da vida por causa de uma reação à vacina Tríplice (recebina do posto de saúde). Hoje sabemos que é pq na época (uns 15 anos lá atraz) havia uma concentração muito grande do virus da coqueluche na composição da vacina... Daí fico com o maior medo de dar ao Gael essa nova vacina da Gripe A.... Lembrando também que o Gael está em tratamento (quimioprofilaxia) por uma reação da vacina BCG (dada na maternidade) que deu a ele um gÂnglio na axila que, segundo a infectologista que cuida dele: É preciso tratar pq é o início da tuberculose. ... Durma-se com um barulho desses :(
- 4/3/2010 - 23:28
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Letícia Sallorenzo - Mamie Bella
leticia@notasdebeleza.com.br
Renata e Roberta,
Digo mais nada!
Obrigada pelos comentários e voltem sempre! E Roberta, obrigada por esclarecer a história dos postos de saúde...
No mais, beijos me liguem! :o)