Uma palavrinha sobre a toxoplasmose
por Juliana Eliezer às 16:37 em 19/08/2011

Embora eu não seja da área médica, juntei as informações dadas
pelo meu obstetra, pelo marido clínico geral, pela minha
experiência pessoal e resolvi escrever algo a respeito.
Experiência pessoal significando, aqui, que eu tenho dois
cachorros e oito gatos em casa...
Sim, dá trabalho. A limpeza precisa ser
constante e muito bem feita. E quando eu descobri a
gravidez, rolou um certo 'frisson' na família, por conta
de eu ter gatos - a filhinha de uma prima minha teve problemas
devido a toxoplasmose durante a
gravidez, o que aumentou a preocupação. Fiquei bastante
ansiosa quanto ao que meu médico diria na primeira consulta a
respeito dos gatinhos, até por causa de um episódio ocorrido um
pouco antes, em que uma personagem de novela disse que não poderia
encostar num gato pois estava grávida e o gato lhe
transmitiria a doença.
Bem, como meu marido já havia me pedido vários exames de sangue
assim que fiz o teste de farmácia e descobri a gravidez, eu já
sabia que nunca havia contraído toxoplasmose, mas que também
não era imune à doença. No consultório, o obstetra
explicou que a toxoplasmose não é nada muito grave (muita
gente pega e nem fica sabendo), exceto quando se trata de
gestantes. Não existe vacina, e dependendo da fase
da gestação em que a doença é contraída, variam as chances e tipos
de problemas que o feto pode vir a desenvolver. É tratável, sim,
mas bem perigosa para o bebê.

E como se pega? Segundo meu obstetra, o meio mais comum é
através da ingestão de água e alimentos
contaminados, como verduras mal lavadas e carnes mal
cozidas - daí a proibição de comer sushi, steak tartar e quibe
cru, que tanto causa chororô aqui em casa. Ele também proibiu,
durante toda a gravidez, a ingestão de qualquer leite ou
derivado não pasteurizado. Por fim, já que os gatos podem
ser hospedeiros e eliminar os ovos do toxoplasma (o
protozoário causador da doença) nas fezes, também fui
terminantemente proibida de limpar as caixinhas de areia deles
durante toda a gravidez, assim como limpar dejetos dos cachorros e
de passarinhos (embora eu não tenha nenhum).
Tá, mas e o meu contato diário com os
gatinhos?

Tanto o obstetra, quanto o marido e também minhas amigas que
tiveram filhos e já tinham gatos, me disseram pra não
entrar em pânico. O médico pediu apenas para
evitar intimidades, como deixar os bichanos
dormirem comigo. Fiquei contente e aliviada - já soube de histórias
em que o obstetra simplesmente mandou a paciente "se livrar do
gato" (é, acho que eu mudava de obstetra).
Aqui em casa, por cautela, adotamos a solução de fazer um
"apartamento" para os gatinhos: o quarto dos
fundos ganhou comedouros, bebedouros, uma estante antiga
para eles subirem, caminhas e vários brinquedos. Eles ainda ficaram
com o espaço da área de serviço e as caixas de areia foram
para o banheirinho anexo. Sorte que tínhamos espaço! Assim eu me
senti mais segura e eles continuaram sendo bichos contentes. Mas
não pensem que os largamos alí, isolados. Volta e meia os deixamos
brincar na sala, ou ficamos por lá brincando com eles. Eles também
nos fazem companhia enquanto estamos
lavando/passando roupa.
E meus exames de sorologia para toxoplasmose, repetidos na
semana passada, continuam negativos!
Aprendi através da minha experiência que não se pode entrar em
pânico! Se você tem gato, converse bastante com o
obstetra e explique seus medos e necessidades.
O "apartamento" para os gatinhos é uma sugestão para quem tem
mais de um, senão periga de o bicho único ficar muito solitário.
Tenha em mente duas coisas: 1) como me explicou um amigo médico, se
os ovos do toxoplasma são eliminados com as fezes do gato, para
pegar toxoplasmose de um gato você precisa "dar um jeito
de colocar o cocô dele na boca" (eca!); e 2) VOCÊ é a responsável
por ambos: pelos seus bichos de estimação E pelo filho que tem no
barrigão - e agindo com responsabilidade, tudo fica mais
fácil.
Notem bem que eu não sou da área médica, ok? Apenas quis dividir
o que rolou comigo. Qualquer dúvida deve ser levada sem demora ao
profissional competente!
- 17/11/2011 - 1:52
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Virginia Abreu de Paula
virginiaabreudepaula@gmail.com
Quero cumprimentá-la pelo artigo e também agradecer pois há muita informação infundada espalhada por aí, inclusive pela televisão. Recentemente a revista Epoca Rio fez uma matéria onde toda a "culpa" recai sobre os gatos. Sabemos que não é assim.
Sabemos que o grande problema é quando tocam nas fezes, não lavam direito as mãos...e as levam à boca. Que bom que você está ajudando a tirar o pânico e o preconceito de muita gente.
- 28/8/2011 - 18:31
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Joo
juliana.eliezer@gmail.com
Ana Andréa, eu confesso que achava um saco toda a minha família falando de toxoplasmose isso e toxoplasmose aquilo. Primeiro que sou super cuidadosa, e segundo que aqui em casa é como vc falou: os bichinhos só comem ração seca e não vão para a rua. Mas minha família tem uns episódios da pessoa comprar um filhote de labrador e depois devolver porque fazia muita bagunça, e coisas assim. Então, abafa, não dá pra considerar mesmo!
Ana, obrigada, viu? Tô tão ansiosa com a chegada dela, justamente por ser mãe de primeira viagem. Torça por mim!!!
- 23/8/2011 - 0:09
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Ana Andréa
feikesda@gmail.com
Oi, Joo
Sou médica veterinária e já tive 22 gatos(!!!), embora só alguns deles tivessem acesso à minha casa. Atualmente, por falta de tempo e espaço, reduzi o número para apenas 4 gatos.
Tenho 2 filhos, um de sete e outro de um ano. Em ambas gestações minha sorologia para a toxoplasmose foi negativa, mesmo com a minha profissão (que teoricamente me deixaria mais exposta a várias zoonoses) e tendo eu cuidado diariamente dos gatos, inclusive limpando bandejas sanitárias - eu passei uma longa temporada sem assistente para a limpeza, apenas eu e o marido(que é engenheiro) cuidávamos dos nossos bichos. Os meus únicos cuidados foram usar luvas descartáveis e lavar bem as mãos com maior frequência.
Os gatos, assim como nós, também se contaminam comendo carne crua contaminada com cistos de toxoplasma, portanto se o seu gato é alimentado com ração e não tem hábitos de caça(caçar e comer a caça, só pegar e brincar com a presa não causa contaminação), é muito pouco provável que ele esteja eliminando cistos. Outra coisa também, o gato infectado elimina os cistos por apenas 1 mês, depois o organismo fica resistente e ele não mais será transmissor da toxoplasmose. Outro detalhe: o cisto do toxoplasma só é infectante após alguns dias em condições de umidade e temperatura ambiente ideais, ou seja, as fezes tem que ficar "velhas" antes de serem ingeridas e causarem a infecção. Os nossos gatos, que vivem dormindo no sofá o dia todo, comem ração industrializada, fazem suas necessidades em uma bandeja higiênica cuidada diáriamente e só vêem a rua pela janela telada do apartamento, dificilmente serão transmissores da doença.
Fico muito chateada com a desinformação de profissionais da área de saúde que mandam a paciente "se livrar" do pobre gato tão logo descubram que estão grávidas. Fico feliz que tenha sido abordado este assunto por aqui.
Beijos
- 19/8/2011 - 23:44
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Ana
anaclaudia_stf@yahoo.com.br
Acho que seu obstetra foi muito sensato a não te aterrorizar a respeito. O que menos se precisa em momentos como esse é mais preocupação!
Parabéns por cuidar tão bem da Nina, Joo!