Uma grande aventura - Parte I
por Juliana Eliezer às 19:19 em 10/10/2011

Fui uma grávida bastante ativa, mesmo nos últimos meses de
gravidez. Trabalhei até quase o final (mas confesso que agradeci
quando meu médico disse que, na opinião dele, grávidas devem
descansar em torno de 15 dias antes do parto), saía bastante, ia ao
cinema, fazia faxina, etc. Cinco dias antes de a Nina nascer, eu
estava num pub prestigiando o lançamento do livro de um professor
meu. Sim, eu ficava cansada, mas, estando com boa saúde,
simplesmente não conseguia parar. Minha boa saúde, aliás, indicava
que talvez eu pudesse ter parto normal: glicose baixinha, pressão
normal, pouco ganho de peso... Faltava esperar a Nina ter boa
vontade e descer. No entanto, até as 39 semanas, nada de dilatação,
zero trabalho de parto.
Na última visita ao consultório do obstetra, no dia 8 de setembro,
mais uma vez se constatou que a Nina estava de ponta cabeça, mas
não encaixada como eu pensava; o médico explicou que podia se
tratar de uma distócia (no caso, minha bacia ser muito pequena para
que ela passasse) ou o cordão poderia estar segurando a nenê lá
para cima. Na opinião dele, devia-se marcar uma cesariana, e assim
foi feito: ficou tudo agendado para o dia 11 de setembro, o domingo
em que minha gestação completaria 40 semanas, e quando eu deveria
juntar minhas trouxinhas e aparecer na maternidade para ser
internada, por volta das 17 horas.
E foi assim que meu sonhado parto vaginal se transformou em
cesariana eletiva. Se fiquei frustrada? Não, nem um pouco! Apesar
de todo o medo que eu tinha de fazer cirurgia, algo cá dentro me
dizia que eu não esperasse além de 40 semanas. Tive certeza de que
estava fazendo a coisa certa quando perguntei ao Fred, médico e
defensor do parto vaginal, o que ele diria se eu não quisesse optar
pela cesariana naquele ponto. "Ia brigar com você", ele
falou. "Do jeito que está, é bobagem esperar. Uma bobagem que pode
se tornar arriscada".
Por estranho que me parecesse um bebê chegar com hora marcada,
logo fui entrando no "modo mamãe": passei a sexta e o sábado
todinhos arrumando o quartinho da Nina, e a mala da maternidade - o
que já estava arrumado eu desarrumei, só pra poder arrumar de novo.
No grande dia, fomos almoçar numa padaria ao lado aqui de casa,
onde costumamos ir sempre, antes que eu precisasse iniciar o jejum
de 6 horas. A atendente perguntou para quando era o bebê. Eu disse,
mal acreditando nas minhas próprias palavras: "é pra hoje!"
Fomos de táxi para a maternidade. Em pleno domingo, o maior
trânsito. Havia algumas emergências que estavam sendo cuidadas no
pronto atendimento, e acabei esperando bastante até ser internada -
achamos até que a cirurgia iria atrasar. Enquanto eu aguardava na
sala de espera, foi aparecendo um monte de gente querida: meus
pais, minha madrasta, amigos. Depois de me levarem para a
preparação, contou o Fred, chegaram os pais dele, o irmão dele,
meus tios. Numa salinha, eu respondia perguntas da enfermeira.
Depois, vesti aquela camisola infame com abertura atrás, e uma
touca que me deixou com cara de maluca. E quando deitei na maca
para ser levada ao centro cirúrgico, tremia feito vara verde e
comentei com a enfermeira: "parece bobo porque todo mundo
nasce praticamente do mesmo jeito, mas não acredito que estou
aqui"...
E continuo no próximo post! :)