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Uma grande aventura - Parte II

por Juliana Eliezer às 19:21 em 18/10/2011

mamie - uma gde aventura 2 - 18 de outubro

Deitada de lado na maca, olhando pro teto, fui empurrada até o centro cirúrgico. Eu, Fred e a enfermeira entramos num elevador e me deu um friozinho na espinha quando ele ficou no quarto andar, onde faria a paramentação para entrar na sala de cirurgia, e eu segui até o quinto andar. A primeira coisa que pensei quando vi a mesa super estreita no centro da sala, onde eu teria que me deitar, foi "com esse barrigão de 10 meses, não vou caber aí". Claro que eu coube. Depois de devidamente espetada pelas agulhas necessárias, de colocados todos os eletrodos, de todos os membros da equipe terem se apresentado, entrou meu médico. Fazendo piadinhas, como sempre: "seu marido tá tomando café aqui no andar de baixo". Eu ri, mas acho que foi de nervoso. Ele me deu a mão.

Vieram os anestesistas, um médico e uma médica. Ambos jovens e gentis, me explicaram como seria o procedimento e como funcionaria a anestesia, a famosa "raqui" e que antes dela me dariam uma anestesia local - a anestesia da anestesia, brinquei. Bem, não gostei nada da tal raqui. Era necessário que eu ficasse numa posição tal que eles conseguissem aplicá-la num espaço entre minhas vértebras, e para isso eu deveria sentar com as pernas cruzadas, arquear as costas, curvar o pescoço pra frente, encolher a barriga (com aquela bebezona dentro!!!) e soltar os braços. Bem só digo que levou MUITO TEMPO pra eu conseguir me postar assim, e foram várias as tentativas frustradas de me anestesiar antes de haver sucesso. Minha sorte é que os anestesistas eram super pacientes e carinhosos - aliás, foi a anestesista que ficou sentada perto de mim durante toda a duração da cirurgia, e me explicou o procedimento todo.

Totalmente "adormecida" da cintura pra baixo, sentia apenas que estavam "mexendo" em mim. Quando o Fred entrou na sala, os cirurgiões estavam quaaase chegando no útero. Ele perguntou "e aí, Tatu, qual a sensação?". Respondi que me sentia como se estivessem me mexendo de um lado para o outro. "É mais ou menos o que estão fazendo mesmo", riu ele.

Muito pouco depois disso, gelei ao ouvir o cirurgião dizer: "Ah, olha aqui, é o cordão segurando a cabeça". Então era por isso que ela não encaixava! Fiquei feliz por ter confiado no meu médico e no Fred. E, bem, não deu nem tempo de ficar apavorada: segundos após essa fala do doutor, senti uma pressão que me veio até o peito (até perdi um pouco o fôlego e foi a hora de a anestesista me tranquilizar, dizendo que era assim mesmo) e ouvi um choro incrivelmente alto, ainda mais para quem estava esperando um chorinho fraco de recém nascido.

Era a primeira vez que eu ouvia a Nina. Lágrimas de surpresa, alívio e felicidade me vieram aos olhos. Lembro de ter falado pro Fred "nossa, como ela grita alto", enquanto o pediatra fazia os primeiros procedimentos com ela. Depois eu soube das notas altíssimas que ela teve no exame de Apgar - 9 no primeiro minuto de vida e 10 no quinto minuto. Foi nessa hora também em que eu consegui ver a baita torcida organizada - nossas famílias e amigos - que vibrava do outro lado do vidro, um vidro todo especial, cuja transparência era aumentada quando permitido pelo médico, para que os visitantes vissem o interior da sala.

Nina foi entregue ao Fred, que a mostrou para mim. Mais uma surpresa: eu não esperava que ela fosse tão bonita. Fiquei tão boba que Fred teve que dizer "dá um beijinho nela, que depois vão levá-la pro berçário". Assim foi feito, e nesse momento brotou uma ansiedade que só cresceria: a de estar de novo com meu marido e minha filha, juntos, quando tudo aquilo tivesse acabado.

Depois de devidamente suturada, me levaram para a sala de recuperação. Os 105 minutos que passei lá - sei exatamente porque a cada 15 minutos o aparelho de medir pressão era acionado automaticamente - pareceram eternos. Não senti nada do que me falaram que a anestesia poderia provocar: náusea, tontura, ânsia de vômito. Apenas coceira. Sim, o que eu achava que poderia ser o incômodo do contato de um eletrodo, ou coisa assim, na verdade era um efeito colateral da anestesia, a enfermeira explicou.

Somente quando consegui mexer minhas pernas novamente é que me liberaram para subir para o quarto. Era bem tarde da noite, e as visitas haviam ido embora. Na tranquilidade da madrugada, éramos apenas eu, Fred e Nina.

Como eu quero que seja sempre.

  • 26/10/2011 - 9:29
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Debora

debora.capodalio@gmail.com

Estava esperando para ler esse post! Fiquei toda boba, imaginando como será o meu grande dia!
Parabéns para você e sua família linda!

  • 23/10/2011 - 21:37
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Ana

geninhacf@gmail.com

Um final de conto de fadas :)

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Juliana EliezerA Joo é de São Paulo, faz faculdade de Letras, tem 32 anos e seu baby é esperado para setembro!

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