Carta para a Nina - parte II
por Juliana Eliezer às 17:21 em 07/11/2011

Querida filha,
Finalmente você chegou. Eu esperava o dia da sua chegada com um
misto de ansiedade, felicidade e medo. Não só porque eu queria te
conhecer, ver seu rostinho, sentir seu cheiro. Mas porque eu sabia
que você, tão pequenina e frágil, dependeria completamente de mim.
Tanto que você chegou, e assim é.
Já ouvi outras pessoas dizerem, acerca da maternidade, e
concordo: o primeiro sentimento é uma urgência enorme em proteger.
Em te colocar debaixo da minha asa e te guardar de qualquer mal.
Nesse processo, vai nascendo o amor. A cada mamada, a cada troca de
fralda, a cada banhinho. A cada colo, a cada abraço. A cada vez que
você olha pra mim, mostra a língua, faz um barulhinho ininteligível
e depois sorri.
Neste momento, você dorme. Dentro em pouco, porém, vai me
chamar. Vai usar seu choro pra me comunicar qualquer necessidade
que você tenha: fome, frio, calor, a fralda que precisa ser
trocada. Ainda é seu único meio de comunicação, esse seu chorinho
que pode ser baixinho e sentido, ou alto e resoluto. Eu, aqui, me
esforço pra te entender, mas nem sempre consigo. Quando concluo que
você chora de dor, dói também em mim. Me sinto impotente, porque
deveria te proteger. Faço o melhor que posso, esperando que sempre
seja suficiente...
Porque você, essa coisinha pequena e linda, é meu maior bem.
Meu, e do seu pai. Deveria poder ser colocada num cofre e guardada
a chave como uma preciosidade, mas está aqui e espera que lhe
mostremos o mundo. É o que faremos, do melhor jeito que
conseguirmos.
Com todo o amor da sua mãe,
Juliana
- 10/11/2011 - 23:09
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Denise
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