Resposta de Dra. Paula Vilela Gherpelli
Vinte cinco anos, experiências mil. O currículo da Paula
impressiona, especialmente pela dedicação a profissão. Graduada na
USP, hoje ela é residente de ginecologia e obstetrícia no Hospital
das Clínicas e admite que o trabalho é seu grande hobby. Pretende
se especializar na sexualidade feminina e, por aqui, vai ajudar
cada mamie respondendo dúvidas, desvendando tabus e até mesmo com
um bom papo de amiga.
Desculpe a demora pela resposta, mas quis me certificar de todas as informações que iria te dar. Existem dois tipos anticorpos anti-Citomegalovírus: a IgM e a IgG. A presença da molécula IgM indica uma infecção mais recente, e da IgG, mais tardia, há mais tempo. Quando existe a coexistência dessas duas moléculas, IgM e IgG, não há como saber a quanto tempo foi essa infecção se você não tiver exames complementares. Normalmente o exame realizado é teste de avidez do IgG: quanto mais ávida essa molécula estiver, mais antiga é a infecção.
Se a mulher se infecta pela primeira vez durante a gestação, a taxa de transmissão pode chegar de 30 a 50%. Aproximadamente 10% dos nenéns infectados nascem sintomáticos. Desses, em torno de 30% evoluem para óbito, e dos que sobrevivem, 85% poderão ter seqüelas neurológicas como crises convulsivas, retardo no desenvolvimento, microcefalia (“diminuição do cérebro”), entre outras. Além dessas, eles podem apresentar outras alterações como surdez e cegueira.
Das crianças assintomáticas, 10 a 15% poderão desenvolver problemas tardios como graus variáveis de surdez e alterações neurológicas.
Algumas medicações podem ser dadas a esses nenéns infectados, e há estudos demonstrando seu benefício. Porém, quanto antes for feito o diagnóstico e iniciado o tratamento, melhor poderá ser a evolução dessa criança. Daí a importância do diagnóstico durante a gestação.