Resposta de Dra. Paula Vilela Gherpelli
Vinte cinco anos, experiências mil. O currículo da Paula
impressiona, especialmente pela dedicação a profissão. Graduada na
USP, hoje ela é residente de ginecologia e obstetrícia no Hospital
das Clínicas e admite que o trabalho é seu grande hobby. Pretende
se especializar na sexualidade feminina e, por aqui, vai ajudar
cada mamie respondendo dúvidas, desvendando tabus e até mesmo com
um bom papo de amiga.
O sintoma mais comum na gestação é a cólica. Logo no início, quando há a implantação do ovo no útero e a formação do embrião e da placenta, há um processo inflamatório local que resulta na cólica. Traduzindo: a penetração desse “mini-neném” no útero causa uma irritação resultando nas cólicas. Conforme esse neném vai crescendo, ele vai causando uma distensão (aumento) do útero, que também dá cólica. Além das cólicas originadas pelo útero, também têm as intestinais. O intestino da grávida é preguiçoso, e por isso, ele fica mais distendido, e isso também dá cólica.
Portanto, motivos não faltam para justificar as cólicas na gravidez. Elas podem ser tratadas com bolsa de água quente no local (cuidado para não se queimar), e se estiver incomodando muito, existem uma série de analgésicos (remédios para dor) que você pode tomar. Peça para que seu obstetra lhe receite algum.
Mas, quando que essas dores não são apenas cólicas normais, e querem me dizer que algo errado está acontecendo? De um modo geral, toda dor que passa, que melhora, não é uma dor preocupante. As dores que são desencadeadas por um problema grave e necessitam de uma avaliação médica são aquelas muito fortes, que não melhoram nem com os analgésicos (remédios para dor) que seu obstetra lhe prescreveu. Outra possibilidade é aquela dor lancinante, insuportável, que é diferente de todas as outras que você sentiu.
Se você sente uma dor forte e que não melhora, procure pelo seu obstetra imediatamente para ser examinada. No início da gravidez, quando ocorrem essas cólicas extremamente fortes, a gravidez extra-uterina é um diagnóstico que precisa ser avaliado. Caso seja confirmado, trata-se de uma emergência, um problema que pode ameaçar a vida da mulher se não tiver um tratamento e acompanhamento médico o mais rápido possível.