Resposta de Dra. Paula Vilela Gherpelli
Vinte cinco anos, experiências mil. O currículo da Paula
impressiona, especialmente pela dedicação a profissão. Graduada na
USP, hoje ela é residente de ginecologia e obstetrícia no Hospital
das Clínicas e admite que o trabalho é seu grande hobby. Pretende
se especializar na sexualidade feminina e, por aqui, vai ajudar
cada mamie respondendo dúvidas, desvendando tabus e até mesmo com
um bom papo de amiga.
Quando o casal recebe a notícia da gravidez, a reação frente a ela é extremamente variada. Têm aqueles que ficam preocupados com o futuro, dinheiro, saúde do filho, enfim, se estão realmente preparados para receber essa criança. E têm aqueles que ficam num profundo êxtase, que finalmente vão ser pais, de que o relacionamento está produzindo um fruto único e maravilhoso. Mas, na maioria das vezes, o que ocorre é uma mistura desses sentimentos tão opostos, ora mais para um extremo, ora mais para o outro. E a sexualidade acompanha esses sentimentos.
É importante ressaltar que a sexualidade do casal durante a gestação acompanha um padrão semelhante a como ela era antes dela. Além disso, no primeiro trimestre, ela também está diretamente relacionada com os sintomas que a gestante sente decorrente da gravidez, como náuseas, vômitos, cansaço, dor nas mamas, dor de cabeça, etc. Aquelas mais sintomáticas têm uma tendência a sentir menos desejo, menos vontade de ter relação e consequentemente, diminui a freqüência do ato sexual.
Todavia, nas gestantes que não apresentam esses incômodos, é observado um aumento da atividade sexual, do prazer, e do orgasmo (esse, tanto em freqüência como em duração, podendo vivenciar orgasmos múltiplos). Portanto, se você é uma dessas felizardas que não tem esses empecilhos no primeiro trimestre, delicie-se com esse estado hipersexual que a gravidez lhe proporciona!
O prazer e o orgasmo levam a uma descarga de endorfina, que melhora a irrigação do útero, assim melhorando a nutrição desse neném. Além disso, o sexo é um ato de amor e carinho entre o casal, e o bebê sente essa ternura entre os pais, recebendo uma energia boa e positiva. Também é observado um índice menor de depressão e ansiedade nas mamães que tem uma vida sexual ativa e prazerosa durante a gravidez.
Respondendo a um dos tabus da gravidez: o sexo não leva a abortamento nem perda da gravidez. Se isso ocorrer, é porque iria acontecer de qualquer jeito, e não foi o sexo que levou a esse triste fim. Portanto, se você estava na dúvida se rendia-se aos prazeres com seu amor, ou ficava na abstinência, espero ter respondido a ela!