Chegou a hora do tratado de paz entre os sexos

09/05/2008 22:18 por Lula Rodrigues

É isso aí meus caros varões de plantão, e aí me incluo. Entramos no século XXI e, mais do que nunca, a nossa vaidade bomba e até se torna objeto da curiosidade das mulheres. O que você, internauta, acha disso? Quer uma prova? Peça emprestado à sua namorada, mulher, amiga ou ex, a revista “Nova” de abril, com o Cauã Reymond, na contracapa batizada de “Nova Homem”. Lá tem a matéria “Bota vaidoso nisso”. Corra e dê uma olhada. Tal edição só sai uma vez por ano. Ficaram no século passado as publicações focadas nas mulheres, que só falavam de maquiagem, roupas e outros assuntos ditos femininos. Deixando o machismo de lado, hoje nosso comportamento é pauta e nosso corpo nitidamente é objeto de desejo, na contramão do que fazemos com elas nas nossas revistas. Eu acho isso super bacana, pois muitos homens ficavam com medo de assumirem seus cuidados de beleza e higiene – grooming – por acharem que as mulheres não iam sacar e questionar a sua masculinidade. Esta aí uma prova de que elas estão tentando, cada vez mais, nos entender. Acredito que estamos na hora do tratado de paz entre os sexos. O século XX foi um tempo de grandes conquistas para nós e para as nossas caras metades. Para elas, começou com o direito de voto, logo na alvorada daqueles tempos. Nos anos 60, queimaram sutiãs em praças públicas, clamaram pela liberdade sexual, nos chamaram de porcos chauvinistas e conquistaram a pílula e a minissaia. Nos 80, conquistaram cargos que só eram ocupados por homens. Na moda, começaram a usar os terninhos de executivas e, até o final dos anos 90, quando assumíamos que éramos vaidosos, galgaram os altos postos das grandes corporações multinacionais. No começo dos anos 2000 apareceu o metrossexual – o hetero vaidoso e, definitivamente, assumimos os nossos cuidados de grooming, embora alguns de nós ainda morrêssemos de medo de que elas não entendessem. O metrossexual já era, mas acabamos aprendendo o quanto a nossa aparência conta no mercado de trabalho. Aí me dou conta de que agora, nas revistas femininas, mais do que nos darem o troco por termos sido tão machistas, elas querem nos entender mais, assim como nós a elas. Aqui pra nós, nas nossas revistas fazemos o mesmo, discutindo até como podemos ser melhores nas nossas performances sexuais. Dou a mão à palmatória: a partir de agora, em minhas pesquisas sobre o comportamento dos homens, também vou ler as revistas femininas.

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