08/10/2010 14:24 por Papo de Homem
Beleza interior é
um mito. Nosso aspecto exterior, em si mesmo, expressa
qualidades interiores. Se há a tal "beleza interior",
ela imediatamente se exterioriza, o que tira
o sentido da expressão.
Não dá para negar, nós sempre nos relacionamos com a pele do
outro: sua presença, sua fala, seus gestos. Ignoramos filosofias,
princípios ou traços subjetivos que permanecem abstratos demais,
sem virar alguma forma de atitude, tom de voz ou olhar.
Ora, é perfeitamente possível, então, que uma
pessoa se torne mais bonita sem realizar nenhuma
grande transformação exterior. Sabemos bem disso
quando acompanhamos uma mulher que se torna cada vez mais
maravilhosa com a passagem do tempo, não por causa de plásticas,
mas pela expansão de seu brilho. Em um processo recursivo, essa
transformação interna acaba causando um maior cuidado com nossa
aparência, já que passamos a compreender melhor como
nosso corpo é o veículo de nossa
mente.
Listo, portanto, três qualidades que transformam o corpo de um
homem.
Brilho nos olhos

Brilho no olho, o que é isso?
Coisa rara. Não dá para fabricar, simular ou encenar. Ou a
pessoa está com o olho brilhando ou não está. Qualquer palestrante,
ator ou namorado sabe identificar quando há brilho nos olhos.
Em geral, nossos olhos brilham apenas em
grandes momentos, após algum ótimo filme, durante
uma conversa importante, no meio de uma apresentação em que falamos
sobre nossos sonhos. Mas são poucos os homens capazes de sustentar
esse brilho pela vida. É preciso ter direcionamento,
motivação ampla, tesão e curiosidade por cada coisa
que surge. Ter uma mente atenta, precisa, sem opacidade, sem tanta
distração.
Quando vivemos
acordados, nossos olhos brilham e isso é algo
essencial que oferecemos aos outros, sem esforço, sem nem nos
darmos conta de que estamos deixando outros olhos brilhando por
aí.
Malícia
espiritual
Sacana, malandro, cafajeste, canalha,
bon vivant, tirador, pé de valsa... São vários os
nomes dessa qualidade, de acordo com o contexto. Eu uno
malícia com espiritualidade porque é muito
fácil manifestarmos uma malandragem com o único propósito de nos
darmos bem.
Por outro lado, se unirmos o espírito do canalha com
generosidade e boa motivação, teremos um cara que
usa seu gingado para transformar os outros,
mesmo quando isso é feito por uma ação mais irada ou lúdica, não
pelo clássico "modo bom samaritano". Um cara astuto e flexível, que
não precisa se explicar ou justificar, que age de modo positivo sem
precisar sequer da aparência positiva.
Um cara que dança e brinca com os
jogos da vida, sem dar tanta solidez para si mesmo
ou para as várias identidades sérias e mundos restritos que
encontramos por aí.
Fúria mansa

O brilho nos olhos e a malícia espiritual escondem
um aspecto agressivo e explosivo.
Quando não aprofundado e liberado de condicionamentos, talvez se
manifeste como raiva, impulsividade, ansiedade ou violência, mas
sua qualidade livre é mais ligada a uma espécie de potência e
energia concentrada.
Um homem com o que chamo de "fúria mansa" é capaz de
pegar sua mulher no colo, do nada, e virá-la do avesso na cama.
Sabe canalizar tudo o que viveu por um ano em apenas uma fala de 30
segundos ou uma batida precisa num tambor. Manja como
usar a qualidade da agressividade sem agressividade
alguma. É essa a fonte de sua firmeza e sua
impetuosidade.
Brilho nos olhos, malícia espiritual,
fúria mansa. Se bem desenvolvidas, cultivadas e
praticadas, tais qualidades mudam a aparência de
qualquer homem.
Malícia é colocar uma mulher nessa
posição e
dizer que faz parte da
dança.
Marcado como
beleza