Por que um homem se preocuparia com a aparência?

01/09/2010 11:14 por Papo de Homem

No texto "O emperiquitamento de um bofe", o mestre Xico Sá sugere que a mulher "não pode ficar com um homem que demore mais do que ela para ficar pronto e apto a enfrentar o mundo". Os guardiões da macheza concordam.

Tirar sobrancelha é demais, deixar o rosto asséptico e maquiado como o do boneco Ken (mais Barbie que a própria), pesquisar creme anti estria, saber 3 marcas de base para unhas... Ações que merecem apenas uma palavra: não.

No entanto, quebrar o espelho é jogar Narciso, digo, o bebê junto com a água. O problema está no foco excessivo, no fascínio com o reflexo, não em nossa imagem. Qual seria então o período ideal para nos demorarmos no espelho? O que está em jogo? Por que um homem se preocuparia com seu visual?

Para sair da teoria, vamos imaginar um homem que se prepara para uma reunião decisiva ou para um jantar com sua mulher. Suponha que ele seja um autêntico ogro, livre da preocupação excessiva com a imagem que deixa nos outros, além do jogo de espelhos dos grupos sociais. Por que ele se preocuparia em se vestir bem? Rosto saudável, pele boa, hálito, cabelo, barba, roupa, perfume... pra quê?

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Desvinculada do narcisismo, a aparência revela seu verdadeiro poder: ela expressa e incorpora o que o homem é, seu direcionamento na vida, seu olhar, suas ideias. O corpo é a mente em ação. Homens de presença naturalmente cultivam um visual objetivo, sem tantos badulaques e enfeites, ok, mas alguns cuidados garantem que a roupa, o perfume, a barba, o visual não obstruam ou prejudiquem sua ação no mundo.

Assim como ninguém dá autoridade para um texto mal escrito, uma roupa condiciona possibilidades de ação. Um terno, por exemplo, nos coloca em uma certa posição, abre um horizonte, revela um mundo, define uma linguagem, até mesmo corporal - você anda diferente quando está de terno. Uma bermuda, para ser caricato, nos leva a outro horizonte de ação.

Ao ignorar essa dinâmica, perdemos acesso a várias identidades, mundos, relações. Muito além de uma preocupação com o olhares externos, o visual é parte de nossa linguagem, nossa interface com os outros, com o mundo. A pergunta, portanto, não é "O que está na moda? O que é aprovado pelos outros? Como posso ser bem visto?", mas "Qual roupa não vai interromper meus meus movimentos em tal situação? Qual visual vai potencializar minha ação?".

Como o visual nunca é um fim em si mesmo, esse homem aceita suas imperfeições, sai na rua sem o "tanquinho" vendido nas revistas, sorri com sua barba irregular e deixa aquele charme sem causas aparentes fazer seu misterioso trabalho. Essa leveza em relação a si mesmo, curiosamente, amplia sua beleza. Seu espírito flexível, profundo, magnético, generoso muda a textura de seus olhos. Seu mundo interior transborda em cada poro.

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O PapodeHomem é um time de homens sem frescuras, cada um com seu groove. Tem aquele que já foi puxado pelo cachecol antes de receber um beijo de uma garota; e outro que acha que cachecol não é coisa de homem. Tem o guarda-roupa gigante e tem o minúsculo, cujo dono sempre fala em simplificar a vida, doar quase tudo semestralmente e usar apenas o essencial para que roupa não seja obstáculo em nenhuma relação ou situação.

Vamos escrever aqui com a motivação de compartilhar como a aparência de um homem é apenas um meio hábil para agir, movimentar pessoas em direções positivas. Para falar dessa presença - atitude inseparável de estilo - nosso foco será em comportamento, além de abordar o universo masculino como um todo (música, esporte, sexo...). O papo está aberto. Aproveitem os comentários desse primeiro post para sugerir temas e abordagens que vocês raramente encontram por aí. Nós agradecemos.

Marcado como , papo de homem, narcisismo, imagem, reflexo, aparência, roupa, visual

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