A cerveja de verdade

02/02/2011 10:15 por Blog MEN

cervas_

Ultimamente tem havido um "despertar" para as cervejas gourmand no Brasil e já é possível encontrar garrafas de 350ml que custam cerca de R$ 200,00 em lojas especializadas. Mas há registros do liquido dourado (e maravilhoso) que datam de 4.000 a.C.. Sumérios, egípcios, mesopotâmios e até romanos, descobriram, desenvolveram e reinventaram a cerveja.

Mas, calma lá, não estamos falando aqui daquela santa cervejinha de sexta-feira, aqueles são os chamados "acervejados", cervejas mais "simples" e menos pretensiosas, aquelas que consumimos no dia a dia. Estamos sim falando das cervejas especiais.

Pra entender a diferença, voltemos ao século XIV, quando vivia Guilherme IV, duque da Baviera na Alemanha, muito conhecido por ser grande apreciador de cerveja. Seus súditos, na ânsia de agradá-lo, faziam as misturas mais mirabolantes do que chamavam de cerveja, pois sabiam o quanto o duque apreciava a bebida.

Um dia, Guilherme IV teve a pior ressaca de todos os tempos e atribuiu a culpa a uma cerveja muito ruim que tinha tomado na noite anterior. Acontece que essa ressaca foi tão monstruosa que levou o duque a instituir a Reinheitsgebot, ou, Lei da Pureza Alemã.

A lei, de 1516, previa que a partir de então, a cerveja só poderia ser produzida com três ingredientes: água pura, malte (cevada) e lúpulo - nessa época a levedura ainda não havia sido descoberta. A lei veio em ótima hora, já que a essa altura, até fuligem e cal estavam sendo usadas na tentativa de "incrementar" o gostinho da cerveja.

Chega o ano de 1906 e a Lei da Pureza Alemã sofre algumas atualizações. Entre elas, a adição da tão necessária levedura - fermento que além de agir como antibiótico ainda potencializa a formação do álcool na cerveja e o uso de outros cereais (maltados ou não) em substituição ou adição à cevada, como o trigo, arroz, milho, entre outros.

Nasce então a cerveja como a conhecemos hoje. Mas você sabe como apreciá-la?

Para ser degustada e apreciada corretamente, a cerveja não pode estar "trincando de gelada". A temperatura muito baixa anestesia as papilas gustativas influenciando na percepção do sabor. A temperatura ideal varia de acordo com a cerveja, desde 5°C a 7°C para as cervejas mais leves (como a Pilsen) até 15°C para uma cerveja mais encorpada (como a Porter).

Vale lembrar que o copo deve estar livre de resíduos de sabão e não pode estar congelado, mas deve sim estar resfriado.

São 4 os passos básicos para se apreciar uma cerveja de verdade:

1 - Aprecie a cerveja visualmente. Avalie se a cerveja é filtrada (transparente) ou não (turva). Perceba a cor e a textura do líquido.

2 - Cheire a cerveja. Sério, não é só o vinho que "herda" as notas da terra, a cerveja também o faz. Ao apreciar o aroma da cerveja, pode-se notar se ela tem algum cereal que se sobressaia, frutas, flores, enfim, às vezes é possível notar se houve adição de algum ingrediente só pelo aroma da cerveja.

3 - Hora de beber. Mas dê um gole de verdade, encha a boca e deixe a cerveja deslizar por toda a superfície da língua. Impactando todas as papilas gustativas de uma só vez é possível avaliar que gosto se sobressai. Se a cerveja é mais amarga, mais doce, mais frutada... OK, pode engolir agora.

4 - aftertaste é o gosto que fica depois que você já engoliu a cerveja. Avalie e aprecie esse gosto. Que sabor a cerveja deixou em sua boca? Amargo? Doce? Forte? Esse sabor te agrada? Essa é a memória da cerveja.

O 5° passo é um dos mais importantes, mas por ser muito pessoal não entra na lista. Depois de Olhar, Cheirar, Provar e Sentir a cerveja, é hora da sua conclusão. O que a cerveja representou pra você? Você gostou dela? O que mais te impressionou no sabor que sentiu e o que você viveria sem? Você tomaria a cerveja de novo ou a recomendaria para alguém?

Pronto, conhecendo esses passos, é só treinar bastante e você também pode se tornar um mestre cervejeiro. Mas lembre-se, tudo o que é bom só é bom quando feito com MODERAÇÃO. E esse também é o caso.

Deguste com moderação e divirta-se!

Marcado como cerveja

Deixe seu comentário



Posts anteriores