15/03/2011 10:48 por Papo de Homem
Denúncia: estão colocando televisão nos
elevadores.
Será que os novos humanos não conseguem parar e ficar
sem estímulos nem mesmo por 10, 20, 30 segundos?
Precisamos sempre de alguma forma de entretenimento? Somos mesmo
como bebês que precisam ser distraídos com brinquedos para não
chorar?
Outra denúncia: restaurantes dentro de shopping estão
distribuindo pagers para os que ficam na lista de espera.
Assim as pessoas podem fazer outras coisas em vez de esperar.
Quando chega sua vez, o pager treme, se ilumina inteiro e a pessoa
entra no restaurante com aquele ar de orgulho frente aos que estão
ali deixando o nome na lista, recebendo os pagers.
Estamos vivendo cada vez mais em uma cultura da
não-espera. Ora, o que a espera oferece? Você lida com o
tédio, fica em silêncio, ouve sua respiração, pensa sobre a própria
vida. Se estiver acompanhado, a espera oferece a chance de
conversar com alguém sem nenhuma dispersão. Esperar é não
fazer nada.
Quando paramos e não fazemos nada, nosso corpo cai em
seu estado natural, nossa mente se equilibra, nossa face não
tensiosa em nenhuma expressão. Já notaram como estamos
sempre sutilmente enrijecendo o rosto? Não é por acaso que todos
nós ficamos mais bonitos quando sorrimos, quando relaxamos o
queixo, a testa, as pálpebras...

Amigo, tem certeza que você deseja uma televisão nesse
elevador?
Não adianta nada criarmos técnicas e mais técnicas para liberar
o stress se estamos cultivando um ambiente que elimina qualquer
tipo de espera, pausa, silêncio. Uma postura na qual tiques de
ansiedade parecem naturais. Uma mente que não para.
Nossa beleza aumenta com a capacidade de parar, deixar o
corpo sem nenhuma expressão específica e a mente sem nenhuma
distração. Sem isso, nosso corpo está sempre se adaptando
a algum ambiente e nossa mente está sempre sendo fisgada por algum
estímulo. Se nos acostumamos a viver assim, sempre que nossos
estímulos mais presentes cessam (trabalho e relacionamento,
principalmente), não sabemos mais como movimentar a energia.
Sofremos e buscamos desesperadamente por outro
estímulo, por uma outra televisão.
Marcado como
comportamento, papo de homem