07/07/2011 17:17 por Papo de Homem
Em 11 textos aqui no Blog Men, nós, do PapodeHomem, falamos
sobre diversas qualidades para cultivarmos uma boa aparência, ou
melhor, para viver de modo mais
desimpedido. Agora é hora de apontar que tipo de
beleza estava por trás de cada texto.
Todo homem deveria saber o que é wabi-sabi, a estética
japonesa que valoriza a imperfeição, a incompletude, a
impermanência - base para o hai-kai, a ikebana e o sumiê. Não
apenas porque nenhuma mulher gosta de um rosto masculino
completamente simétrico e asséptico, mas porque o olhar wabi-sabi
pode melhorar nossas relações, nossos projetos, nossa vida em
geral.

Sumiê: só vale o
primeiro traço, sem retoque
A busca por perfeição, resolução e imortalidade causa muito
sofrimento. Ficamos desconfortáveis em situações não resolvidas, em
relações que acabam sem explicações, em trabalhos incompletos.
Temos uma necessidade em explicar, finalizar, planificar,
arredondar, resolver, justificar, retocar, aperfeiçoar, manter,
fazer durar. E assim nos tornamos inimigos do erro, da falha, do
acidente, da frustração, da morte, do irregular e assimétrico,
enfim, da vida, daquilo que é espontâneo e por isso irretocável do
jeito mesmo que surge.
Ora, quando as mulheres dizem gostar de um homem misterioso, o
que está sendo valorizado é a essência de um mistério: a não
resolução. Nossa capacidade de pular os muros de certo e errado, de
desafiar coerências, de não ser tão certinho, explicado, acabado,
resolvido. Um nariz torto, uma cicatriz, uma viagem sem preparação,
um relacionamento que se aprofunda antes da hora, amor com
rebarbas, tudo isso vem do reconhecimento que nós todos somos
imperfeitos, incompletos, impermanentes.
Quando começamos a nos deliciar com a perspectiva wabi-sabi,
momento a momento, ficamos mais íntimos de qualquer coisa, mais
modestos, simples, espontâneos, cúmplices de erros, falhas e
frustrações, sem tanta necessidade de explicar e aparar, abertos à
famosa beleza das coisas como elas são.
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